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Quando a tecnologia promove a cidadania

Palácio Belvedere (Foto: Divulgação) - Quando a tecnologia promove a cidadania
Palácio Belvedere (Foto: Divulgação)

A disseminação do uso da internet cria uma rede de comunicações. É  fato. E alguns internautas, como o caso da empresária Sylvana Caruso conseguiu usar a tecnologia para criar um fórum virtual discussão e até  encaminhamento de serviços púbicos como  é o caso da fanpage A Realidade Curitibana, criada em abril de 2014. Atualmente, são 9.807 membros que  acompanham e interagem com fotos e textos sobre o que vem no dia a dia de Curitiba.

A breve visualização das postagens é possível ver desde o pedido de  lâmpadas para determinada rua como a discussão da validade de venda de bebidas em estádios de futebol. "É eclético, mas sempre voltado para a  realidade da cidade", comenta Sylvana, 59 anos. Ela se considera uma andarilha em Curitiba. Moradora do Centro, costuma andar pela região e  fotografar os problemas que encontra pelo caminho. Não se aventura fora do seu bairro, porque tem medo. "Acompanho os outros bairros pelos  relatos que recebo diariamente".

Sylvana Caruso (Foto: Arquivo Pessoal)

A necessidade de criar um canal cidadão como A Realidade Curitibana  surgiu o dia que voltou de um compromisso e passou pela Praça da Espanha. Para ele, sempre foi um local visto como quintal de casa, pois  sua família sempre morou pelo entorno. Ela viu meninos de drogando, lixo jogado na Rua do Rio, pichação. "Naquele dia, me dei conta que a cidade  estava feia. Não era a Curitiba de antes".  Depois da ajuda de um amigo paulista que mantinha algo semelhante no condomínio que mora, Sylvana  deu o primeiro passo. Mas, alerta. A página não exime os pedidos formais para os canais competentes como é o caso do 156.

Ela conta com colaboradores porque as postagens são moderadas. Não  poderia ser de outra forma, diz Sylvana ao deixar claro que a página A Realidade Curitibana é apartidária. No entanto, as reclamações,  normalmente, vem direcionadas às autoridades de forma muito ácida. "Eu leio todos os comentários. Todas as postagens. Mesmo que a pessoa seja  mal educada, respondo todos", confirma a importância de resposta para o grupo.

"O poder público tem muita culpa, mas o morador também tem culpa. A  educação não existe mais".

Ela lembra que há qualquer momento pode levar uma "surra" por ser tão  crítica, as suas atitudes denunciatórias vão alem do virtual. Cansou de parar pessoas na rua e avisar algo errado.  Outro dia viu uma mulher jogando lixo em uma casa abandonada, na região central. Foi lá e reclamou. No outro dia, voltou a ver a mesma cena. O resultado foi  publicar um comentário. Para alegria de Sylvana, o proprietário tirou todo o lixo do local e iniciou uma reforma no local. "Fico feliz porque estamos fazendo alguma coisa pela cidade. Eu queria fazer muito mais, mas não tenho mãos para alcançar todos os problemas".

A foto que causou mobilização na rede

A imagem do Palácio Belvedere pichado causou a indignação do  participante da página A Realidade Curitiba. Segundo Sylvana, foi a primeira de tantas publicadas nesses dois anos, mas a que causou mais  repercussão na rede social. Além de ser um prédio histórico, localizado  no Alto São Francisco, tinha recém passado por uma pintura. No texto  publicado na época, Artur Cezar, 58 anos, desabafa: "depredado, abandonado pelos dois últimos prefeitos, se tornou um retrato fiel do  descaso e da inércia da Administração Pública Municipal".

O morador do Bigorrilho sentiu a oportunidade quando foi convidado para  integrar a página. Para ela, a ferramenta surgiu no momento certo.

"Fiquei surpreso pela transparência dos interesses em tratar da  realidade da cidade sob o ponto de visto crítico e não político".

O conteúdo tem sido de assistência social, de urbanismo com ruas e  calçadas esburacadas, limpeza pública, segurança, mal atendimento público na saúde, entre outros. Ele conta que a Realidade Curitiba,  muitas vezes, expõe e dá resultados. Mas, quando são problemas cruciais da cidade, a administração pública "não vê, não enxerga, não ouve".

"Na medida em que as redes sociais tem um peso nas comunicações, o  Realidade Curitibana representa um 'portal' de discussão. É um 'banco' de registros das coisas que afligem os manifestantes".

Facilidade

Para Luiz Carlos "Piti" Hauer, advogado, as cidades estão em constante processo de mudanças e a participação do cidadão tende a aumentar, e A Realidade Curitibana cumpre esse papel ao dar acesso às opiniões. "Desenvolvimento não significa modernidade; desenvolvimento deve contemplar aspectos sociais e respeitar a dignidade humana de seus cidadãos", pontua o vice-presidente da Federação das Comunidades Terapêuticas e especialista em Dependência  Química.