27°
Máx
13°
Min

Ruralista volta ao banco dos réus, acusado da morte de sem terra em Marilena

Marcos Prochet foi condenado no primeiro julgamento, mas obteve anulação no TJ (Foto: Joka Madruga/Terra de Direitos) - Ruralista volta ao banco dos réus, acusado da morte de sem terra
Marcos Prochet foi condenado no primeiro julgamento, mas obteve anulação no TJ (Foto: Joka Madruga/Terra de Direitos)

Ex-presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Marcos Prochet vai a júri popular na próxima quinta-feira (25). Condenado inicialmente a mais de 15 anos de prisão pelo assassinato do agricultor sem terra Sebastião Camargo, 65 anos, ele teve o primeiro julgamento anulado pelo Tribunal de Justiça do Paraná.

Nesta quinta-feira, às 9h, o ex-presidente da UDR irá, novamente, para o banco dos réus. O trabalhador foi morto em 1998 durante um despejo ilegal na cidade de Marilena (a 81 quilômetros de Paranavaí), que envolveu cerca de 30 pistoleiros. Além do assassinato de Camargo, 17 pessoas, inclusive crianças, ficaram feridas.

Em 2013, o ruralista teve o primeiro julgamento, em que foi condenado a 15 anos e nove meses de reclusão em regime inicialmente fechado por ter sido considerado autor do disparo que vitimou Sebastião Camargo. Prochet é a quarta pessoa a ir a júri popular pela morte do trabalhador sem terra.

Histórico

O latifúndio onde Sebastião Camargo foi morto já havia sido declarado improdutivo pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O então proprietário da fazenda Boa Sorte, Teissin Tina, negociava com o órgão a desapropriação da terra, que foi destinada à reforma agrária. Em 2001, o proprietário recebeu R$ 1,3 milhão pela desapropriação da área, hoje Assentamento Sebastião Camargo.

A morte do agricultor não foi um caso isolado. Entre 1995 e 2002, ao menos outros 16 trabalhadores rurais sem terra foram assassinados. Em apenas em um desses casos – na morte do trabalhador Eduardo Anghinoni – houve condenação do executor.

Um esquema de milícias armadas montado para despejos violentos no Paraná foi desmantelado pela Operação Março Branco, da Polícia Federal. A ação era financiada por fazendeiros para realizar ataques contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Deflagrada em 2005, a operação prendeu oito pessoas por formação de organização criminosa, entre elas o ex-coronel Waldir Copetti Neves.

Outros envolvidos

Em novembro de 2012, outras duas pessoas foram condenadas pela participação no crime contra Sebastião Camargo. Teissin Tina, ex-proprietário da fazenda Boa Sorte, onde o agricultor foi morto, recebeu pena de seis anos de prisão por homicídio simples. Já Osnir Sanches foi condenado a 13 anos de prisão por homicídio qualificado e constituição de empresa de segurança privada, utilizada para recrutar jagunços e executar despejos ilegais.

Augusto Barbosa da Costa, integrante da milícia privada, também foi condenado, mas recorreu da decisão. Denunciado apenas em 2013, o ruralista Tarcísio Barbosa de Souza, presidente da Comissão Fundiária da Federação de Agricultura do Estado do Paraná (Faep), ligada à Confederação Nacional da Agricultura (CNA), também responde pelo crime. O ruralista é ex-tesoureiro da União Democrática Ruralista (UDR) e ex-vereador em Paranavaí.

Caso leva à condenação na OEA

As violações ocorridas do direito à vida, às garantias judiciais e à proteção judicial que marcaram o assassinato do trabalhador sem terra levaram a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) a responsabilizar o Estado Brasileiro pelo crime, em 2009, 11 anos após o assassinato.

Colaboração Assessoria de Imprensa