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Seis meses após fortes chuvas, Londrina ainda aguarda recursos

(foto: N.Com/Divulgação) - Seis meses após fortes chuvas, Londrina ainda aguarda recursos
(foto: N.Com/Divulgação)

A Prefeitura de Londrina aguarda a liberação de recursos, por parte do Governo Federal, para a recuperação dos pontos danificados total ou parcialmente pelas chuvas ocorridas em janeiro deste ano. Somente no dia 11 de janeiro choveu 274,8 milímetros enquanto a média histórica do acumulado do mês de janeiro, até então registrada, era de 218 milímetros ou 7 milímetros por dia.

A administração municipal investiu, até agora, pelo menos R$ 20 milhões em obras emergenciais e no restabelecimento de serviços em 80 por cento dos quase 400 pontos prejudicados pelo maior evento climático extremo, ocorrido em Londrina. “Tivemos que fazer a recuperação de muitos pontos priorizando, num primeiro momento, áreas com risco de vida e recuperação de serviços públicos essenciais, além de resolver situações de áreas isoladas na zona rural”, destaca o prefeito Alexandre Kireeff.

O Município teve que direcionar recursos próprios para as obras mais urgentes, pois não era possível aguardar uma solução financeira imediata por parte dos governos estadual e federal. Os investimentos consideráveis só puderam ser feitos porque houve sobras no orçamento do ano passado.

À espera de liberação - O Governo Federal, por meio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, homologou, em maio, a situação de emergência em Londrina, decretada pela Prefeitura no dia 12 de janeiro. O Governo do Estado já havia acatado a situação de emergência, em decreto estadual publicado em 21 de janeiro deste ano.

Mesmo com o reconhecimento por parte do Governo Federal, até o momento nenhum recurso foi depositado nos cofres municipais. Pelo Formulário de Informações de Desastre (FIDE), embasado pela Defesa Civil Estadual e homologado pelo Governo Federal, o valor do prejuízo em Londrina é de R$70.331.075,44, enquadrados nos critérios técnicos do Ministério da Integração Nacional. Os prejuízos totais ultrapassaram os R$ 95 milhões, incluindo bens públicos e privados, mensurados pela Defesa Civil. Entretanto, alguns itens como os danos em parques e prejuízos com a agricultura não foram contabilizados

Até o momento, a Prefeitura recebeu apenas a sinalização de uma possível liberação de aproximadamente R$ 8 milhões, que serão utilizados para recuperar 10 pontes danificadas pelas chuvas. O Município já recuperou 35 das 45 estruturas pontes e pontes-aterro prejudicadas total ou parcialmente.

Defesa civil 

Para se ter uma ideia da dimensão dos estragos, a Defesa Civil de Londrina, por exemplo, vistoriou 809 imóveis, em solicitações feitas pela população. Destas, 186 resultaram em interdições parciais, 36 interdições totais e 587 orientações. Doze pessoas, entre arquitetos, engenheiros, técnicos e apoio administrativo, participaram ativamente do trabalho que durou quatro meses. O custo estimado de mão de obra foi de R$ 216.642,00 e outros R$ 237.365,00 gastos em insumos (material de escritório, veículos, combustível, etc), somando um total de R$ 454.007,00.

Educação 

Somente na Educação, 111 escolas e centros municipais de Educação Infantil foram prejudicados em algum grau. A maior parte, 52, foi resolvida parcialmente com contratos de manutenção em execução, 33 estão sendo reformadas e outras 16 estão sendo licitadas em blocos. Com isso, já foram gastos R$ 4.749.722,11. Atualmente, há 40 escolas, das quais 7 que estavam em andamento antes da chuva de janeiro. O dinheiro usado para essas obras teve que sair de economias feitas em outros setores

Saúde 

Do total de 25 pontos afetados na Saúde, por exemplo, 17 foram de UBS prejudicadas porque as calhas não suportaram o volume de chuva, o que acabou causando infiltrações e problemas na pintura de parede e teto principalmente. Danos pequenos foram resolvidos com mão de obra e recursos da própria secretaria, no total de quase R$ 500 mil. Não foram computadas como totalmente solucionadas porque ainda faltam reparos como pinturas, que devem ser feitas a partir de agora, com a contratação de serviços de manutenção.

Apenas a UBS do Panissa/Maracanã permanece interditada por problemas na estrutura. Foram realizados reparos emergenciais no muro, instalação hidráulica e calçamento – com um custo total de R$58.686,68 – e foi contratado laudo estrutural por recomendação da Secretaria de Obras, que constatou necessidade de uma reforma ampla, com um custo de quase R$ 435 mil e cujo processo está em licitação. A Maternidade Municipal também sofreu com infiltração, que causou bolor e rachaduras na unidade em geral, bem como estufamento de paredes. O próprio setor de manutenção da saúde tomou as providências.

Pavimentação

 A malha viária urbana foi extremamente prejudicada pelo evento climático. Oito vias que tiveram que ser desobstruídas, quatros pontes precisaram de intervenção urgente, 34 vias urbanas não pavimentadas precisaram ser patroladas, 60 ruas tiveram erosão, outras 12 ruas cujas bocas de lobo ou poços de visita precisaram ser refeitos, além de 55 ruas com pavimento muito prejudicado e foram recuperados. No total, foram feitas 173 intervenções diretas da Secretaria Municipal de Obras e Pavimentação, com um gasto total de R$10.474.421,00. Segundo o secretário de Obras, Walmir Mattos, a quantidade de estragos significou a desaceleração de todas as obras de investimentos como o Arco Leste, a duplicação da Avenida Faria Lima e a da Aminthas de Barros. “Tivemos que suspender tudo para investir em recape e tapa-buraco”, afirma.

Além disso, há ainda 10 pontes para serem recuperadas. Os processos das licitações dessas pontes estão na Procuradoria Geral do Município, com prioridade para análise. As estruturas que deverão reconstruídas com os cerca de R$ 8 milhões acenados pelo governo federal são: ponte da Estrada Paiquerê/Guairacá sobre o Rio Taquara; ponte da Estrada Fazenda Canaã sobre o córrego do Gavião; ponte de ligação da estrada da Usina Apucaraninha ao Pari-paró/Lerroville; ponte da estrada Nakamura; ponte da estrada da Laranja Azeda/Limeira sobre o ribeirão Laranja Azeda; ponte da estrada rural do Faustino; ponte da estrada Paiquerê/Lerroville sobre o rio Taquara; ponte sobre o ribeirão Clementino – estrada do Aguiar – Guaravera; ponte sobre o rio Amarelinho – Estrada Eldorado – Guaravera. A ponte sobre o Ribeirão Cafezal, na rodovia Mábio Gonçalves Palhano, terá reconstrução parcial.

Área rural 

Na área rural, a situação também ficou complicada. Cerca de 455 quilômetros precisaram de patrolamento, cerca de 20 quilômetros de moledamento. Além disso, 564 caixas precisaram ser limpas, 18 pontes tiveram que ser submetidas a grandes intervenções, 18 aterros de pontes foram restauradas e outros serviços como desobstrução de estradas que tiveram o transito impedido pela formação de atoleiros, desbarrancamentos e deslizamentos de encostas. Estes serviços foram realizados nos Distritos Sede, Warta, Maravilha, Irerê, Paiquerê, São Luiz, Guaravera e Lerroville, nos Patrimônios Regina, Espírito Santo e Guairacá e Bairros Limoeiro Usina Três Bocas, Coroados, Taquara e Taquaruna.

Parques  

Dois pontos turísticos importantes de Londrina também foram bastante castigados pelas chuvas: o Parque Municipal Arthur Thomas e o Parque Ecológico Dr. Daisaku Ikeda. Como parques não são considerados obras prioritárias, não recebem verbas dos governos federal e estadual para recuperação. Para recuperar totalmente os dois locais, seriam necessários cerca de R$8 milhões. Os dois locais deverão ser parcialmente liberados na segunda quinzena de agosto, após algumas breves intervenções feitas com a ajuda da iniciativa privada. Os locais e horários ainda serão definidos pela secretaria municipal de Ambiente (Sema).


Prejuízos em números:

Escolas/CMEis

Afetadas –111
 Resolvidas – 95
 Em reformas – 33
 Contratos de manutenção em execução – 52
 Em licitação - 16

Unidades de Saúde

Afetadas - 25
 Resolvidas – 24 (maioria falta apenas pintura)
 Em pendência – 1 UBS Panissa/Maracanã – em processo de licitação

Ruas/pontos urbanos

Prejudicadas – 190
 Resolvidos – 173
 Em pendência – Recuperação de erosão do talude do Lago Cabrinha, obras de contenção e recuperação da ponte do Parque Arthur Thomas, contenção próximo ao viaduto da Rua Bolívia com Dez de Dezembro, contenção no Residencial Vista Bela, no Conjunto Neman Sahyun, obras nas Estradas do Limoeiro, Santa Paula, Coroados, Selva, Irerê/Paiquerê, Lerroville e Ouro Fino, e nos vales do Franciscato e Bratac.

Ponte

Prejudicadas – 45
Em pendência – 10 (esperando liberação do dinheiro)
Consertadas com verbas próprias – 35

Estradas rurais

KM Prejudicados – Cerca de 600 quilômetros
 Resolvidos – 455 quilômetros
 Faltam moledamento – 114 km (De forma geral as estradas em piores condições sofreram adequação de seu leito por meio do patrolamento. Entretanto, existem muitos trechos de estradas que tiveram o moledo carreado pelas enxurradas. Estes trechos ainda têm apresentado problemas ao tráfego em dias chuvosos.)


(com informações do Núcleo de Comunicação da Prefeitura)