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Seis meses após rebelião, PEL II ainda agoniza

Seis meses após rebelião, PEL II ainda agoniza

O relógio estava próximo das 10h30 de uma terça-feira, 6 de outubro, quando detentos da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL II) iniciaram um motim. Encapuzados, armados com facas e pedaços de paus, eles ganharam o telhado da unidade prisional rapidamente, fazendo outros presos reféns enquanto falavam ao celular.

Depois de 24 horas de tensão, a rebelião chegou ao fim com um saldo desastroso: morte de um preso arremessado do telhado e um cenário de destruição no interior do presídio.

Passados exatos seis meses, a situação é muito pior à existente antes do motim para os 780 presos que lá estão. Se a carta de reivindicações à época solicitava melhorias na alimentação e no relacionamento com agentes penitenciários, agora eles convivem com estrutura ainda mais precária, e um surto de tuberculose que já vitimou um detento e mantém outros seis isolados com suspeita da doença.

A vereadora Lenir de Assis (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores, cobra a reestruturação completa da unidade e reforça o alerta em relação às doenças contagiosas. “Este é um volume que, se não for contido, pode virar um surto. Precisamos garantir tratamento adequado e evitar novos registros”.

Em visita recente a Londrina, o diretor geral do Departamento de Execução Penal (Depen), Luiz Alberto Cartaxo, admitiu que a unidade está longe do ideal. “Perdeu-se muito da estrutura da PEL 2, mas estamos caminhando para a normalidade”. A partir de maio, segundo o diretor, devem ser retomadas as visitas de familiares duas vezes por mês.

Inaugurada em 2007, a PEL 2 tem capacidade para 928 presos divididos em 144 celas coletivas e 96 celas individuais.