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Advogado diz que ex-tesoureiro do PT só se entrega à Justiça

O advogado José Roberto Batochio, responsável pela defesa do ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira, disse que seu cliente não vai se apresentar à Polícia Federal, mas à Justiça, numa audiência de custódia. Alvo de um mandado de prisão preventiva na Operação Custo Brasil, o petista é procurado pela PF desde a manhã desta quinta-feira, 23.

Batochio afirmou ser "um direito natural da pessoa" não se entregar à PF. "A lei não pode coibir o anseio de liberdade", justificou. Ele não informou quando Ferreira se apresentará.

Nesta quinta-feira, enquanto os agentes da PF percorriam endereços de Brasília na tentativa de encontrar Ferreira, ele dava entrevistas à imprensa por telefone. Dizendo-se tranquilo, almoçou em casa.

A Custo Brasil foi deflagrada às 6h. Os agentes da PF foram a um imóvel que seria de Ferreira na capital federal, mas foram informados de que ele não mora mais no local. Em seguida, bateram, sem sucesso, na sede do PT. O advogado do partido avisou que o ex-tesoureiro não aparecera ali. Eram 11h30.

Ao longo da manhã, Ferreira atendeu aos telefonemas de jornalistas e informou que estava em casa, em Brasília, "completamente à disposição" da PF. Primeiro, conversou com repórter da Rádio Gaúcha. "Estou tranquilo em relação a isso e acho natural que em algum momento surja meu nome, como surgiram na Operação Lava Jato alguns empresários dizendo que tinham ligação comigo. Isso faz parte da política", disse o ex-tesoureiro à rádio.

Em seguida, Ferreira falou ao jornal "O Globo": "Estou aqui aguardando. Ninguém me procurou ainda. Parece que tem um mandado e, como não me localizaram, disseram até que estou foragido". Por volta das 13h, a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo ligou para o ex-tesoureiro. Uma mulher atendeu e explicou que ele só não falaria porque estava almoçando.

Conforme o inquérito da operação, como tesoureiro do PT, Ferreira iniciou as tratativas para viabilizar o pagamento de propinas no Ministério do Planejamento com os ex-ministros Luiz Gushiken (morto em 2013), da Secretaria de Comunicação Social, e Carlos Gabas (Previdência e Aviação Civil). Ele teria recebido parte dos recursos da empresa Consist, envolvida no esquema de corrupção que beneficiava o partido. Depois de deixar o cargo, a tarefa de tratar dos pagamentos teria passado para o sucessor, João Vaccari Neto.

À tarde, o ex-tesoureiro - que é marido da ex-ministra Tereza Campelo (Desenvolvimento Social) - desligou o celular. Às 19h desta quinta-feira, além dele, a PF considerava foragido o advogado Guilherme Gonçalves, acusado de receber suborno para o ex-ministro Paulo Bernardo. Os demais nove mandados de prisão preventiva foram cumpridos.