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Alckmin nega que Alexandre de Moraes assumirá cargo em eventual governo Temer

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse nesta quarta-feira, 20, em Campinas, interior paulista, que o atual secretário da Segurança Pública do Estado, Alexandre de Moraes, não deixará o cargo para ser ministro da Justiça ou advogado-geral da União, caso o vice-presidente Michel Temer assuma a Presidência da República. "Hoje, ele (Moraes) fez uma declaração dizendo que não foi convidado para nenhum cargo federal. Vai continuar como secretário de Segurança Pública do Estado", disse Alckmin.

Conforme informou o jornal O Estado de S. Paulo, na terça-feira, 19, Alexandre de Moraes esteve com o vice-presidente Michel Temer na casa do peemedebista em São Paulo, dando origem a comentários de que teria sido sondado para ocupar o Ministério da Justiça, caso o impeachment da presidente seja aprovado. Na manhã desta quarta, Moraes divulgou nota em que diz ter "admiração e respeito" por Temer, amigo de "mais de 20 anos", mas não foi sondado para qualquer tipo de cargo, "seja no Ministério da Justiça ou na Advocacia-Geral da União."

'Golpe'

Em Campinas, onde lançou o edital de concessão de cinco aeroportos estaduais de aviação executiva, Alckmin disse que o PT não pode alegar que o processo de impeachment contra a presidente petista Dilma Rousseff é golpe. Segundo ele, todo o processo está seguindo "rigorosamente" a Constituição.

"O PT não pode falar em golpe, porque o PT entrou com pedido de impeachment contra o Collor (ex-presidente Fernando Collor de Mello), um pedido de impeachment contra o Itamar (ex-presidente Itamar Franco) e um ou dois contra o Fernando Henrique (ex-presidente Fernando Henrique Cardoso). Só não entrou contra o Lula (ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva) e a Dilma porque eles são do PT. Agora é golpe?", questionou.

Sobre o processo que pode levar ao impeachment de Dilma pelas pedaladas fiscais, o governador disse que sempre defendeu a investigação de todas as denúncias e o cumprimento da Constituição, embora tenha respeito pela presidente e pela instituição da Presidência. "A Constituição está sendo rigorosamente cumprida, aliás, o Brasil está dando uma grande demonstração de maturidade política e de ter instituições sólidas", afirmou.

Ovo

Após o evento em Campinas, Alckmin seguiu para Jundiaí, também no interior de São Paulo, onde um manifestante atirou um ovo em direção ao governador quando ele discursava. O governador falava sobre obras na Rodovia Anhanguera e um grupo protestava ao lado do palanque. Integrantes de sua comitiva foram atingidos pelo ovo. Alckmin não foi atingido, mas chegou a interromper o discurso e olhar na direção dos manifestantes.

O atirador do ovo foi detido por seguranças e levado à uma delegacia da Polícia Civil. Ele vai responder pelo crime de injúria - a polícia não divulgou a identidade do suspeito. A manifestação teria relação com as denúncias de fraude na merenda escolar que envolveriam agentes públicos ligados ao governo tucano.

A Operação Alba Branca, da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual, desbaratou uma quadrilha que montava cooperativas de fachada para fornecer produtos - entre eles, ovos - à merenda escolar com preços superfaturados. A Coaf, cooperativa de da cidade de Bebedouro, é acusada de estar à frente do esquema que se infiltrou em 22 prefeituras e mirava a Secretaria da Educação do Estado. Para ganhar os contratos, a cooperativa pagava propina a agentes públicos.

Em Campinas, o governador afirmou que foi o próprio governo que descobriu a fraude, através da Polícia Civil. "Aí o Ministério Público entrou na apuração, que está sendo rigorosa." Alckmin disse que o programa de aquisição de alimentos para a merenda escolar foi criado para beneficiar o pequeno produtor, mas a cooperativa desvirtuou o processo de licitação.

Segundo ele, não há provas do envolvimento de pessoas do governo. "Se houver, será punido." Alckmin afirmou ainda que não houve prejuízo para o Estado. "Os suspeitos já foram presos e, se tiver mais gente envolvida, também vai responder."

São citados nas investigações da operação, contudo, Luiz Roberto dos Santos, o "Moita", ex-assessor do ex-secretário-chefe da Casa Civil de Alckmin, Edson Aparecido, o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Fernando Capez (PSDB) e o ex-secretário estadual de Logística e Transportes, Duarte Nogueira (PSDB).