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Aliado do Planalto, líder do PMDB critica Dilma em comissão do impeachment

Embora tenha dito ter convicção de que a presidente Dilma Rousseff não cometeu crime de responsabilidade que justifique seu afastamento, o líder do PMDB na Câmara, deputado Leonardo Picciani (RJ), fez uma dura crítica à petista em seu discurso na Comissão Especial do impeachment, na madrugada deste sábado.

Picciani afirmou que o Brasil chegou à atual situação, "porque quem ganhou a eleição não teve a humildade de reconhecer que ganhou uma eleição dividida e chamar o País a uma reconciliação e quem perdeu não teve a resignação de aceitar o resultado e pensar no País; preferiu contestar e pensar apenas na sua ambição política". "Essa página, sim, seja qual for o resultado, tem que ser virada", disse.

Ponderando que não estava discursando como líder do partido, mas como deputado, Picciani disse não ter encontrado na representação do pedido de impeachment de Dilma feita pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal, fundamento de que a petista tenha cometido crime de responsabilidade. "Tenho convicção, presidente, de que ela não cometeu", afirmou.

O peemedebista disse também não concordar com o parecer do relator do processo na comissão especial do impeachment, deputado Jovair Arantes (PTB-GO). "Seu parecer é melhor do que a denúncia formulada pelos três advogados que a propuseram, mas, mesmo assim, a meu juízo, não me convenceu que, em algum movimento, houve crime de responsabilidade", declarou Picciani.

O líder disse ter se convencido ainda mais disso ao assistir à participação de Janaína Paschoal na comissão. "Ela não se restringiu a falar da sua peça. Ela fez um discurso político que qualquer um de nós aqui poderia ter feito". "Portanto, se quem escreveu a denúncia (…) precisou buscar outros pontos de argumentação, certamente é porque sua convicção não estava tão segura de que a peça era completa por si só".

Ameaças

Picciani contou ter sido procurado por diversas pessoas a favor e contrárias ao impeachment e, sem citar nomes, indicou que foi alvo de ameaças. O parlamentar disse, no entanto, que ameaças não vão sensibilizá-lo a mudar suas convicções. "Portanto, me desculpem, mas o conjunto da obra não preenche a lacuna legal para que o princípio do voto popular possa ser rompido", disse.