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Avaliação de que Dilma já 'jogou a toalha' é equivocada, diz Cardozo

O ex-advogado-geral da União e ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, negou nesta sexta-feira, 29, que a presidente afastada Dilma Rousseff tenha "jogado a toalha" no processo de impeachment. Em entrevista à TV Estadão e ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, Cardozo disse que Dilma não está lutando porque gosta do poder, e sim por seu "amor pela democracia". Segundo ele, a presidente é inocente e precisa lutar por justiça. O ex-ministro também voltou a defender a tese de que não há pressuposto jurídico para a acusação contra Dilma.

Na reta final do processo, Cardozo considerou que a tramitação do processo na Câmara e no Senado foi marcada por altos e baixos, porém voltou a classificar o impeachment como um "golpe" à democracia e afirmou que diversos juristas do mundo todo estão denunciando a suposta "farsa". "Tenho visto manifestações no mundo todo de que esse processo é de uma fragilidade jurídica e política total. Mesmo as pessoas que não defendem o governo de Dilma, mas que gostam da democracia, são contra o impeachment", declarou.

Cardozo disse que o impeachment coloca a democracia do Brasil em cheque. "Independente de quem tem preferência pela presidência do governo Dilma ou do (presidente em exercício) Temer, nenhum país cresce onde as instituições permitem que um governo seja colocado para fora sem nenhuma razão para isso", avaliou. Caso o impedimento seja aprovado, em agosto, o ex-ministro afirmou que o resultado será "péssimo" para a imagem do País e para a economia. "Nenhum País cresce e se desenvolve se instituições não dão segurança jurídica."

A peça de alegações finais da defesa foi apresentada por Cardozo esta semana e, segundo ele, busca convencer os senadores do quanto a aprovação do impeachment pode ser prejudicial para o Brasil. "Se alguém admite ver alguém perdendo um direito dessa forma, e esse alguém sendo o presidente da República, com toda a divulgação, imagina o que vai acontecer com o cidadão comum. O cidadão que vê o presidente sendo colocado dessa forma, será que ele não teme pelos seus direitos e garantias? Acho que todos nós temos que temer pela violação da democracia."