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Bate-boca com Gleisi pode levar Renan a votar pelo impeachment, dizem aliados

Interlocutores do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), avaliam que o bate-boca com aliados da presidente afastada, Dilma Rousseff, nesta sexta-feira, 26, o descola definitivamente da base de apoio da petista e ajuda a pavimentar o caminho para que vote contra a petista no julgamento do impeachment.

Nas etapas anteriores, Renan não se posicionou, sob o argumento de cumprir um papel institucional. O peemedebista, no entanto, vem fazendo mistério sobre como vai se comportar na etapa final do julgamento.

O governo do presidente em exercício, Michel Temer, vem pressionando Renan para que apoie a deposição de Dilma. São necessários 54 votos, mas por ora 49 senadores se declararam favoráveis à cassação, segundo o Placar do Impeachment publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo.

À reportagem, aliados de Renan disseram que o desabafo em plenário, ao comparar o Senado a um "hospício" e confrontar a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), sinaliza uma possível mudança de postura no dia da votação.

A explosão em plenário nesta sexta, porém, não foi um improviso. Renan teria se mostrado incomodado com o tom adotado por petistas e, principalmente por Gleisi, no primeiro dia do julgamento. Parte do discurso, inclusive, foi preparada na véspera. Uma declaração, por exemplo, foi inspirada em texto de Nelson Rodrigues que ele leu na quinta. "Esta sessão é uma demonstração de que a burrice é infinita", disparou.

Nesta sexta-feira, quem conversou com o peemedebista descreveu um outro personagem. No intervalo da sessão, após o bate-boca, Renan se queixou da "ingratidão" dos petistas. Não por acaso, afirmou em plenário ter ajudado Gleisi no Supremo Tribunal Federal. Reclamou que, em troca, ela abriu fogo contra a Casa, afirmando que os colegas não têm moral para julgar Dilma.

Calma

Senadores governistas e de oposição se reuniram com o presidente do Senado no almoço, na tentativa de apaziguar os ânimos no julgamento. A sessão desta sexta-feira começou marcada por ataques de parte a parte.

Quatorze senadores dilmistas realizaram uma reunião, decidiram baixar o tom dos discursos e avaliaram ser necessário deixar o julgamento "fluir". A avaliação foi de que os bate-bocas são prejudiciais à imagem da Casa e podem virar contra Dilma parlamentares que ainda não se posicionaram.

O grupo pró-Dilma escalou Jorge Viana (PT-AC), vice-presidente do Senado, como porta-voz. O petista assegurou a Renan que a sessão correria com mais sobriedade e avisou que Gleisi telefonaria para ele para buscar um entendimento.

Durante o intervalo, cerca de 30 passaram pelo gabinete de Renan. O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), foi um dos que tentaram "acalmar" o presidente do Senado. Outros tucanos, porém, aproveitaram o conflito para insuflá-lo contra o PT.

Alguns senadores entenderam que, ao dizer que intercedeu por Gleisi no Supremo, Renan sugeriu ter alguma influência sobre a Corte e constrangeu o ministro Ricardo Lewandowski, que conduz o julgamento do impeachment. Por isso, ele decidiu publicar uma nota explicando as declarações.