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'Cacife' do PR elege novo líder governista na Câmara e negocia Agricultura

A bancada do PR na Câmara dos Deputados está rachada. De um lado, o grupo do "cacife" da legenda, o ex-deputado Valdemar Costa Neto, quer a permanência na base aliada e o apoio à presidente Dilma Rousseff no cargo. Do outro, oposicionistas defendem o impeachment. Devido ao impasse, o líder do partido, Maurício Quintella (AL), renunciou ao cargo ontem para votar a favor do processo de impedimento.

Com a saída de Quintella, a ala oposicionista pediu para que o vice-líder Wellington Roberto (PB), assumisse o comando da bancada provisoriamente. A sugestão foi negada por Valdemar, que indicou o nome do governista Aelton Freitas (MG), eleito na tarde desta terça-feira, 12, por aclamação. Nos bastidores, Valdemar negocia com o Planalto um cargo para a legenda no Ministério da Agricultura. O partido tem hoje o Ministério dos Transportes.

Na última semana, Quintella chegou a se reunir com o vice-presidente Michel Temer para dar continuidade às negociações que haviam sido iniciadas no final de março para uma eventual gestão Temer, mas Valdemar não aceitou dar sequência às conversas. Oposicionistas dizem que é ele "quem manda" no partido, mas querem convencê-lo de que neste caso está equivocado. Para eles, o governo já acabou.

Nas contas dos oposicionistas, pelo menos 24 parlamentares são favoráveis ao impedimento de Dilma, 12 são contrários e quatro estão indecisos por pressão do Diretório Nacional. Já nas contas dos governistas, a estimativa é de que metade dos 40 membros votarão contra o impeachment.

Para o ex-líder do PR, sua renúncia para votar a favor do impeachment deixou outros deputados à vontade para fazerem o mesmo e o número de apoiadores do impeachment aumentou de ontem para hoje. Quintella disse que fará "campanha" dentro e fora da bancada para aumentar o apoio pelo afastamento da presidente da República.

Após ter sido anunciado como novo líder do PR, Freitas não quis falar sobre o assunto e disse que ainda precisa definir alguns pontos com a Executiva. Governistas negam que possa haver qualquer mudança de posição ao longo da semana e também um possível retorno de Quintella à liderança após a votação do processo na Casa.

No texto divulgado hoje por Freitas, ele reitera o apoio à presidente Dilma e a sustentação do governo pelos parlamentares. Em nome do partido, o novo líder do PR se declarou contra o impeachment. Ele disse ainda que "não há necessidade de fechamento de questão para que a legenda confirme ampla maioria" na votação.