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Candidato do PMDB à prefeitura do Rio cobra apoio de Temer

Lançado nesta quarta-feira, 20, candidato a prefeito do Rio pela convenção do PMDB, o deputado federal Pedro Paulo Carvalho afirmou ter esperança de que o presidente interino, Michel Temer, participe da sua campanha.

"O presidente Michel Temer é do meu partido, o País está virando a página da crise política e econômica. O PMDB do Rio trabalha em parceria. Tenho desejo que ele venha para o meu palanque", disse o deputado, ex-secretário de Coordenação de Governo do município.

Na convenção, o prefeito Eduardo Paes atacou duramente adversários, em especial o senador e pré-candidato do PRB Marcelo Crivella, líder nas pesquisas. Crivella é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, comandada pelo bispo Edir Macedo.

"Até gosto dele, me apoiou na eleição passada, mas é preposto empregado do bispo Macedo. Nada contra a Igreja Universal, nem o bispo Macedo, mas não pode querer colocar um empregado na prefeitura", discursou Paes.

Em resposta, Crivella fez uma ironia, lembrando conversa gravada entre Paes e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em que o prefeito diz que a cidade de Maricá "é uma merda". "Não vou falar mal do Paes. Ele é meu maior cabo eleitoral. Se eu tivesse que fazer um pedido a ele é que não esquecesse, de vez em quando, de dar uma ligadinha para o Lula", disse o senador.

Freixo

Paes criticou ainda o candidato do PSOL, deputado Marcelo Freixo, que também teve a candidatura formalizada ontem. "É um rapaz cheio de boas ideias, mas inspirado no século retrasado, que tem como exemplo a Venezuela, onde hoje as pessoas nem comem", afirmou.

Freixo respondeu à provocação de Paes: "Atrasado é ter uma cidade desigual, é ter um lugar como Acari, em que a expectativa de vida é de 58 anos, enquanto a do Leblon é de 82. Atrasado é bater em mulher. Não é possível que o prefeito ache moderno ter a Rocinha com um dos maiores índices de tuberculose", afirmou o candidato do PSOL.

Preferido de Eduardo Paes, a candidatura de Pedro Paulo sofreu um abalo no fim do ano passado, quando se tornaram públicas duas agressões do deputado à ex-mulher, Alexandra Marcondes. Ele é investigado em inquérito no Supremo Tribunal Federal por lesão corporal.

A Polícia Federal recomendou o arquivamento do processo, por falta de provas, mas a Procuradoria Geral da República (PGR) insistiu nas investigações. Apesar do desgaste na imagem do candidato, o PMDB do Rio de Janeiro decidiu manter Pedro Paulo na disputa.

"Há oito meses esse processo vem sendo investigado, mais do que qualquer pessoa quero ver esclarecido. Fiquei muito feliz quando a Polícia Federal sugeriu o arquivamento, mas vamos deixar que a Procuradoria Geral conclua o inquérito", afirmou o peemedebista, cuja coligação reúne 16 partidos.

Ao lançar as linhas gerais de seu programa de governo, Pedro Paulo deixou clara uma divergência com o padrinho político. Ao contrário de Paes, o candidato defende que parte da guarda municipal tenha função de patrulha e seja autorizada a usar armas letais, com porte de arma autorizado apenas no horário de trabalho. "O desafio dos próximos quatro anos é a segurança pública", disse.

Já o candidato do PSOL afirmou que a prioridade de seu governo, caso eleito, será a mobilidade urbana. "Não é possível que pessoas passem três ou quatro horas para se deslocar", disse, ressaltando que pretende também "enfrentar o banditismo político no Rio".

"Se for candidato de milícia ou do crime organizado, não tem acordo", afirmou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.