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Candidatos evitam associação com líderes nacionais

Após uma participação tímida no primeiro turno das eleições municipais, caciques nacionais e até mesmo estaduais estão sendo "dispensados" por seus candidatos a prefeito na segunda etapa da disputa em algumas capitais. Para evitar a nacionalização da campanha e a contaminação com temas turbulentos da política atual, há concorrentes que preferiram se distanciar de seus líderes partidários na conquista de votos.

Em Belo Horizonte, os dois principais caciques políticos do Estado - o senador Aécio Neves (PSDB) e o governador Fernando Pimentel (PT) - evitaram aparecer ao lado de seus candidatos à prefeitura no primeiro turno e não deram indícios, ao menos até o momento, de que vão se empenhar na campanha de segundo turno.

Presidente nacional do PSDB e eleito duas vezes governador de Minas, no dia da eleição, Aécio não foi votar ao lado do deputado estadual João Leite, candidato da legenda. No momento em que o senador estava em sua sessão eleitoral, no entanto, Leite, que disputa o segundo turno com o empresário Alexandre Kalil (PHS), acompanhou o presidente nacional do partido.

A assessoria do senador afirma que "a campanha definiu como estratégia que o próprio candidato se apresentasse à população". A reportagem também entrou em contato com a assessoria do governador solicitando posicionamento sobre a eleição e sua ausência da campanha. "O governo do Estado não se manifesta sobre assuntos relativos ao processo eleitoral", respondeu, em nota.

O comitê de Leite, também em nota, disse que o candidato "tem dito reiteradas vezes que tem enorme respeito e reconhecimento pelas lideranças do seu partido". "Nessa eleição há uma cobrança maior da população sobre o próprio candidato, suas propostas e condições pessoais para resolver os problemas da cidade."

Preocupação

O segundo turno na capital gaúcha entre Nelson Marchezan Júnior (PSDB) e Sebastião Melo (PMDB) também não deverá ter a participação de grandes nomes nacionais da política. A exemplo do que ocorreu na primeira fase da eleição, os candidatos argumentam que a prioridade é "municipalizar a disputa". A estratégia também contempla uma preocupação de desvincular a figura dos concorrentes das polêmicas envolvendo suas legendas no cenário nacional.

Melo, atual vice-prefeito de Porto Alegre, é do mesmo partido do presidente da República, Michel Temer, e do governador gaúcho, José Ivo Sartori. Nenhum dos dois apareceu em seus programas de TV. Nos debates no primeiro turno, Melo foi muito questionado por adversários sobre medidas adotadas pelo governo federal consideradas impopulares.

"O Sartori e o Temer não votam em Porto Alegre, então para que trazê-los para a campanha? Não estou debatendo nem o Estado nem o País", disse Melo. Nos bastidores, a percepção é de que a estratégia deu certo e será mantida.

Marchezan, por sua vez, se divide entre a campanha em Porto Alegre e o mandato na Câmara dos Deputados. Apesar de manter uma relação cotidiana com líderes nacionais do PSDB em Brasília, ele tampouco demonstra interesse em receber o apoio deles na disputa local.

Em Curitiba, Rafael Greca (PMN), em disputa com Ney Leprevost (PSD), não tem citado o governador Beto Richa (PSDB) com a mesma veemência com que cita acadêmicos e, ao ser "acusado" pelos adversários de ter o apoio do governo, procura sair pela tangente. O próprio governador disse que não se envolveria na campanha.

Com apenas dez segundos na propaganda eleitoral, mas um bom desempenho nos dois debates televisivos, Eduardo Braide (PMN), surpreendeu e está no segundo turno na disputa em São Luís, com o atual prefeito, Edivaldo Holanda Júnior (PDT), aliado do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB). Em 2014, Braide apoiou o peemedebista Lobão Filho para o governo estadual, candidato do grupo do ex-senador José Sarney. No entanto, ele agora evita a associação.

Aliado dos irmãos Cid e Ciro Gomes, ex-governadores do Ceará, o atual prefeito de Fortaleza e candidato à reeleição, Roberto Cláudio (PDT), vez ou outra apareceu nas carreatas em companhia de um deles. O próprio Ciro explica a ausência dizendo ser o prefeito já reconhecido pelos eleitores.

Oficialmente apadrinhado pelos senadores Tasso Jereissati (PSDB) e Eunício Oliveira (PMDB), Capitão Wagner (PR) afirma que o apoio dos líderes é igual ao de qualquer morador da cidade. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.