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Cerveró não tem nem coragem de dizer que Dilma recebia propina, diz Cardozo

O ex-advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, acusou Nestor Cerveró de ter mentido no acordo de delação premiada, em que diz que a presidente afastada Dilma Rousseff mentiu sobre a compra de Pasadena. Segundo ele, o depoimento seria uma vingança, pois "todos sabem que eles tinham uma péssima relação". "Cerveró não tem nem coragem de dizer que Dilma recebia propina, pois não tem prova."

Ele disse ainda que Dilma não sabia do caso de Pasadena, mas quando soube tomou as providências necessárias. Segundo ele, Cerveró sempre soube que Dilma não iria mantê-lo no cargo quando assumisse a presidência da República. Em tom de ironia, afirmou ser "curioso" alguém com esse tipo de relação ter tantas informações comprometedoras sobre o outro e só usá-las agora.

O advogado também comentou a nota do jornal O Globo, que diz de que viagens do cabeleireiro de Dilma, Celso Kamura, a Brasília teriam sido pagas com dinheiro do esquema de corrupção da Petrobras. "Pasadena foi quatro anos antes de Dilma conhecer Kamura na campanha de 2010, eu vi, estava lá", alegou. De acordo com o advogado, fazer uma relação entre o caso de Pasadena e o cabeleireiro é uma "perversidade".

Cardozo saiu em defesa da presidente. "Tenho certeza que a presidente não tem problemas dessa natureza, pelo meu convívio com ela."

O ex-ministro da Justiça declarou que percebe uma tentativa de setores em tentar atingir Dilma e fortalecer o processo de impeachment. "O que se quer é criar um clima de que a presidente não é o que diz. É uma estratégia clara, todas essas acusações são inconsistentes."

O advogado disse ainda que Dilma possui todos os recebidos de pagamento ao cabeleireiro e que deve apresentá-los quando voltar do Rio Grande do Sul.

Intimidação

Cardozo também acusou Michel Temer e seu aliados de intimidarem Dilma e sua defesa. Ele criticou a possibilidade de as viagens da presidente afastada pelo avião da FAB serem limitadas apenas para o Rio Grande do Sul. Para ele, não cabe ao Executivo limitar os destinos da viagem de Dilma, já que o processo do impeachment tramita no Legislativo.

"O objetivo disso é evitar que a presidente se locomova, é de intimidar", declarou. "Querem o que, que ela viaje em um avião comercial, com toda a segurança da presidência da República? Ela ainda é a presidente. Querem que ela viaje de carro? Não é essa a questão, querem é impedir que ela se locomova", enfatizou.

Ele disse ainda que tem visto diversas tentativas de intimidação contra a defesa da presidente. "Perdem o tempo ao tentar me intimidar", esbravejou.