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Coquetel no Congresso em meio a ato reprimido por PM era prêmio a ONGs

RAFAEL GREGORIO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Se coubessem em uma imagem, a comoção e a revolta contra a classe política que tomaram as redes sociais nesta quarta-feira (30) seriam sintetizadas pela fotografia acima.

Nela, homens e mulheres brindam em clima de convescote em um ambiente interno da Câmara dos Deputados. Do lado de fora, um ato contra a PEC do teto dos gastos públicos é duramente reprimido pela Polícia Militar.

Blogs e personalidades políticas, como David Miranda (Psol), vereador eleito no Rio, também ligaram o registro a um descaso da classe política, após um dia aprovações de projetos polêmicos na Câmara e no Senado.

"O retrato fiel da podridão da casta política brasileira. Lutadores do lado de fora contra a PEC e do lado de dentro coquetel com champanhe", escreveu Miranda.

Sem embargo, o que a fotografia registra é o coquetel de encerramento de uma cerimônia pelos 15 anos da Comissão de Legislação Participativa, um dos mais relevantes canais de comunicação entre a sociedade civil e o Legislativo.

Presidida pelo deputado federal cearense Chico Lopes, do PCdoB, a comissão recebe sugestões de criação, modificação e extinção de leis.

É composta, em sua ampla maioria, de parlamentares de partidos como PT, PSol e o próprio PCdoB.

Além da entrega de "selos de participação legislativa" a entidades, ONGs e sindicatos que mais enviaram sugestões, o evento teve uma homenagem à deputada federal Luiza Erundina (PSol-SP), primeira presidente da comissão.

"A cerimônia e o coquetel acontecem todo ano e já estavam agendados, não houve tempo para cancelar", informou a assessoria de imprensa da Câmara, segundo quem "entidades representativas da sociedade civil estavam sendo homenageadas, coincidiu de ser no horário da manifestação".

Reconhecida pela atuação no órgão, Erundina não compareceu ao coquetel: "Ela não pôde ficar até o fim porque foi aberta ordem do dia [no plenário da Câmara] e ela precisava acompanhar a sessão", informou sua assessoria.

Outros deputados, porém, adentraram a festa ao final, sem terem presenciado a cerimônia.

"Como havia livre acesso e era um ponto privilegiado para ver a manifestação, o lugar imediatamente foi tomado por deputados, jornalistas, assessores. Tinha até celebridades tirando foto", disse um dos presentes.