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Criança de 12 anos baleada está entre feridos em conflito entre índios

O menino indígena Josiel Benites, de apenas 12 anos, é um dos índios que foram baleados nesta terça-feira, 14, durante um conflito sangrento deflagrado por fazendeiros na região de Caarapó, no Mato Grosso do Sul.

Com pelo menos um tiro na barriga, Josiel Benites foi socorrido e encaminhado para o Hospital da Vida, no município vizinho de Dourados. Além do menino guarani kaiowá, pelo menos mais três vítimas estão em estado grave: Nurivaldo Mendes, 37 anos, com tiros no tórax e abdômen; Lipércio Marques Daniel, 42 anos, com tiros na cabeça, tórax e abdômen; e uma última pessoa identificada apenas como Jesus, de 29anos, com um tiro na barriga.

Procurado, o Hospital da Vida não deu mais informações sobre o quadro de saúde dos feridos. O conflito resultou na morte do agente de saúde indígena, Cloudione Rodrigues Souza, de 26 anos.

O clima na região é de extrema tensão. Informações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) dão conta de que o número de feridos poder ser maior, porque os indígenas se dispersaram pelo território, em fuga, com a chegada de cerca de caminhonetes, motocicletas, cavalos e trator usados por pistoleiros, capangas e homens que chegaram atirando contra o acampamento em que os índios estavam. Trata-se da Fazenda Yvu, que está em terra indígena e atualmente é alvo de processo de demarcação pelo Ministério da Justiça (MJ).

Segundo o Cimi, em filmagens feitas pelos próprios índios, é possível ver uma centena de homens armados, queimando motos e demais posses dos indígenas. "A maioria dos indivíduos está vestida com um uniforme preto; nas filmagens, é possível ouvir gritos de: 'Bugres! Bugres!', forma pejorativa usada para se referir aos indígenas na região sul do País", informou o órgão.

O ataque foi uma resposta à retomada realizada pelos indígenas de Tey'i Kue na Fazenda Yvu, vizinha à reserva. No último domingo, 12, um grupo de 100 famílias reocupou o território chamado de tekoha Toropaso, onde incide a Fazenda Yvu.

Em maio, os indígenas estiveram em Brasília, pressionando pela publicação do relatório da terra indígena Dourados-Amambai Peguá. Sob pressão, a Funai assinou o relatório. Dessa forma, a demarcação da terra indígena teria prosseguimento. Em nota, o Conselho Indigenista Missionário categorizou como "paramiltar" a ação, e afirma que, no último semestre, foram registrados ao menos 25 casos similares entre os guarani kaiowá do Estado.