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Cunha cogita fazer votação da comissão do impeachment partido a partido

Embora tenha afirmado que o processo de impeachment seguirá o rito estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), estuda a possibilidade de votar as 65 indicações da comissão processante partido a partido. O deputado voltou a defender a celeridade e a "abreviação" do processo.

Cunha explicou que a sessão da eleição da comissão começará as 10h desta quinta-feira, 17, mas os partidos terão até o meio-dia para indicar seus representantes. A votação deve se estender até as 14h. A previsão é que a comissão seja instalada às 17h, com a eleição do presidente e do relator do colegiado no mesmo dia. A regra para a escolha da cúpula da comissão ainda não está definida. "Pretendemos concluir amanhã (quinta-feira), salvo algum percalço que possa existir. Estaremos disponíveis para estender o horário ao tempo que for necessário", afirmou.

O peemedebista disse que, mesmo com o julgamento do STF, alguns aspectos do rito ainda não estão plenamente esclarecidos, que os ministros "infelizmente" não sanaram algumas dúvidas e que isso cabe interpretação do regimento. "Há coisas que vamos ter de interpretar", observou. Ele afirmou que a decisão da Corte tem de ser submetida à ratificação de voto do plenário.

Cunha declarou que ainda vai decidir com os técnicos da Casa se a eleição da chapa única será feita partido a partido, deputado a deputado ou globalmente. "Não tenho decisão tomada ainda. A gente só especulou", afirmou. O peemedebista destacou que há uma preocupação de que qualquer decisão da Casa não acarrete em nova judicialização do processo, mas sinalizou que espera novas contestações dos insatisfeitos. "Se alguém discordar da interpretação do regimento, que vá para o Supremo de novo, que conteste, que faça o que quiser fazer", disse.

Sobre o grampo da conversa telefônica entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cunha afirmou que a nomeação do petista como ministro-chefe da Casa Civil pode ter tido o efeito contrário. Ele contou que só ouviu repercussão das conversas e que achou o conteúdo "muito ruim" e que se está "criando um incêndio aí". "Mostra que nós estamos a cada dia que passa com uma governabilidade muito difícil, que piora a cada dia", comentou.

Ele não descartou a possibilidade de deferir novo pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, uma vez que novos requerimentos foram apresentados nos últimos dias. O peemedebista, no entanto, avisou que não aceitará aditamento ao pedido já acolhido, que isso caberá à comissão processante.