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Cunha critica proposta de Dilma: 'é contraditório se falar em pacto e agredir'

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, levou apenas algumas horas para contestar, com uma forte dose de ironia, a proposta apresentada nesta quarta-feira, 13, pela presidente Dilma Rousseff, de fazer um pacto com todos os partidos, inclusive com a oposição, caso o processo de impeachment seja derrubado.

"É contraditório se falar em pacto e agredir. Dificilmente alguém que agride tem condições políticas para fazer pacto", afirmou. "É um pouco difícil essa retórica de você dizer que é golpe e no dia seguinte querer sentar com os golpistas", completou.

Pela manhã, em entrevista a jornalistas, Dilma afirmou que se o processo de impeachment for barrado, seu primeiro ato será fazer uma nova repactuação entre todas as forças políticas, "sem vencidos e sem vencedores". Ela, no entanto, não detalhou o que seria esta medida.

Para Cunha, "é obvio" que se deva fazer alguma coisa para que haja condições políticas para a presidente continuar governando, caso o processo não siga adiante. Mas, segundo ele, a proposta de se fazer um pacto pressupõe condições políticas para o debate.

"Pacto é uma circunstância em que pressupõe sentar na mesa para se discutir algo concreto para o País. Já houve várias oportunidades de isso ter sido feito e foram perdidas", disse.

Segundo o peemedebista, a presidente da República "parece até que não compreende o processo" de impeachment. "Ela fala como se Câmara e Senado fosse junto ao mesmo tempo", disse.

Tapetão

Cunha ironizou também a afirmação do Advogado-Geral da União, José Eduardo Cardozo, de que "não é tapetão" o governo recorrer de uma eventual derrota no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. "O juris sperniandi é direito de todos", disse ele, usando uma expressão jocosa do meio jurídico para definir o direito de reclamar.

Horas antes, Cardozo sugeriu que o governo poderá recorrer da decisão, caso saia derrotado no processo de impeachment. "Nenhuma lesão de direito pode ficar afastada de apreciação do Poder Judiciário. Se um cidadão comum, se qualquer pessoa ou um presidente da República tem uma lesão, vamos ao Judiciário. Isso sinceramente não é tapetão", justificou.