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Defesa da filha de ex-presidente da Eletronuclear considera sentença duríssima

A defesa de Ana Cristina da Silva Toniolo, filha do ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva, considerou "duríssima" e "fora dos padrões" a sentença dada na última quarta-feira, 3, pelo juiz da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, Marcelo Bretas. Ana Cristina e outros 12 réus foram condenados na ação penal que investiga crimes cometidos na construção da usina nuclear de Angra 3, um desdobramento da Operação Lava Jato.

O ex-presidente da Eletronuclear recebeu a maior pena: 43 anos de prisão pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, embaraço a investigações, evasão de divisas e organização criminosa. A filha do vice-almirante da Marinha, por sua vez, foi condenada a 14 anos e 10 meses.

"Se considerarmos as condenações da Operação Lava Jato, a sentença foi extremamente rígida, especialmente no caso de Othon. Vamos recorrer", disse a advogada Ana Beatriz Saguas, que representa Ana Cristina.

O Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, ainda não obteve retorno da defesa do vice-almirante. Othon foi acusado pelo Ministério Público Federal de cobrar propina em contratos com as empreiteiras Andrade Gutierrez e Engevix. Ele foi um dos alvos da 16.ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Radioatividade, que avançou sobre irregularidades em contratos no setor elétrico.

A defesa de José Antunes Sobrinho, sócio da Engevix, reafirmou a inocência do engenheiro. O advogado Carlos Kauffmann informou que também irá recorrer "por não concordar com a análise de provas realizadas". Sobrinho recebeu a segunda maior pena, de 21 anos e 10 meses.

Já o advogado Juliano Breda, que representa Otávio Marques de Azevedo, presidente afastado da Andrade Gutierrez, e o ex-diretor da empreiteira Flávio Barra, destacou que os seus clientes estão cumprindo "rigorosamente" o acordo fechado com a Procuradoria Geral da República, "dizendo a verdade de todos os fatos".

"A defesa vai avaliar a sentença para ver se está em linha com as condições fixadas no acordo e avaliar se é necessária apelação. Azevedo teve perdão de 15 anos. Ele foi condenado a sete anos e quatro meses de reclusão. Para Flávio Barra, diretor da empreiteira, a pena definida foi de seis anos e 10 meses. Sem a delação teria de cumprir 20 anos e 6 meses.

A reportagem ainda não conseguiu contato com a defesa dos outros condenados.