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Delator relata encontros com tucano

O lobista Marcel Julio, personagem central da Operação Alba Branca - investigação que mira fraude na merenda escolar -, relatou em sua delação premiada à Procuradoria­Geral de Justiça encontros com presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Fernando Capez (PSDB), e afirmou que o tucano exigiu dinheiro porque sua campanha eleitoral estava "sofrendo".

A Alba Branca investiga um esquema de fraudes em licitações da merenda escolar. A Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf) se infiltrou em pelo menos 22 prefeituras para atuar em contratos da Secretaria da Educação do governo Geraldo Alckmin (PSDB).

Em sua delação, Marcel Julio afirmou que ele e o pai, Leonel Julio, ex­presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo Leonel Julio (do antigo MDB), que também foi preso na Alba Branca, auxiliaram Capez na campanha de 2010.

Marcel Julio afirmou que em 2014 esteve três vezes seguidas no escritório político. A primeira apenas com o assessor do tucano, Luiz Carlos Gutierrez, o Licá, para quem teria entregado documentos. Depois duas vezes com Capez, segundo Marcel Julio.

De acordo com o delator, o escritório político ficava na rua Tumiaru. Na delação, o lobista descreveu o escritório e "a secretária Sol". Marcel Julio disse que foi Licá, que era seu amigo, quem marcou e esteve presente em todos os encontros.

Em um trecho da delação, o lobista afirmou: "Quando nos preparávamos para deixar o local, na frente de todos que estavam ali na antessala, o Deputado esfregou indicador e polegar, das duas mãos, rindo e de braços abertos, enquanto dizia: 'Não esquece de mim, hein, estou sofrendo em campanha!'. Ficou bem claro que com esse gesto ele queria dinheiro."

Propina. O delator relatou que em um dos encontros o ex­assessor do tucano Jeter Rodrigues Pereira o chamou na Assembleia para conversar. "Eu fui até lá, quando ele me disse: 'Você viu lá a publicação, tudo como combinamos? Agora precisamos falar de valores. Eu quero 2% do contrato e no total nós queremos, tirando os meus 2%, mais R$ 450 mil para ajudar na campanha do Deputado Capez", afirmou o lobista.

Em um dos encontros, Marcel Julio relatou que participaram Capez, ele, Licá e um investigado de nome "César". Segundo o lobista, Capez disse que "já estava por dentro do assunto" e que "iria resolver o problema", mandando Licá enviar um e­mail à Secretaria da Educação.

Dez dias depois, afirmou o delator, Marcel e Cesar se reuniram com Capez e Lica. O tucano teria pedido para a secretária Sol ligar para o ex­chefe de gabinete da Educação Fernando Padula. A secretária Sol teria informado que Padula não poderia atender.

O delator contou que Capez ligou do próprio celular e conversou com Padula.

De acordo com Marcel Julio, depois de explicar que o contrato seria cancelado e haveria outro, Capez disse para "ficarmos tranquilos que garantiria o novo contrato e na saída de nossa pediu o dinheiro". "O deputado até chegou a afastar o aparelho do ouvido para mostrar que estava falando e foi logo dizendo 'Pô, Padula, o que está acontecendo com o assunto Cooperativa Coaf. Você ficou de me passar a informação. Eles estão com problema e vão perder o suco", relatou o lobista.

Capez afirmou que não recebeu propinas. O argumento central do parlamentar, ao rechaçar a denúncia do lobista, é que o contrato da Secretaria da Educação citado é de 2015. Ou seja, na avaliação do deputado, não faz sentido a versão de que teria recebido propina para a campanha no ano anterior ao do fechamento do contrato da merenda.

Padula nega envolvimento com a fraudava licitações da merenda. Ele declarou que está à disposição do Ministério Público e da Justiça para prestar esclarecimentos. O Estado não conseguiu localizar Licá."O deputado perguntou assim para nós: "Ótimo, tranquilo?" Quando nos preparávamos para deixar o lugar, na frente de todos que estavam ali na antessala, o deputado esfregou o indicador e polegar das duas mãos, rindo e de braços abertos, enquanto dizia: 'Não esquece de mim, hein, estou sofrendo em campanha!' Ficou em claro que com esse gesto ele queria dinheiro. Logo depois eu e Cesar deixamos o lo9cal Fora dali, no mesmo, Cesar perguntou para mim se eu achava mesmo que aquele negócio seria resolvido com urgência." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.