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Delegada da Lava Jato disputa lista tríplice da PF que será apresentada a Temer

A delegada da Polícia Federal Erika Mialik Marena, que integra a Operação Lava Jato, em Curitiba, está na disputa por uma das três vagas disputadas na eleição aberta pela Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), para montagem de uma lista tríplice a ser apresentada ao presidente em exercício, Michel Temer, como possível novo diretor-geral da corporação.

O processo, iniciativa da ADPF, foi aberto no dia 13 e se encerrará em 1º de junho, quando os nomes dos três eleitos pela classe serão levados ao presidente em exercício e ao ministro da Justiça, Alexandre de Moraes.

A indicação do chefe da PF por lista tríplice é uma das bandeiras dos delegados federais. Para eles o modelo de escolha contribui para o fortalecimento da instituição, meta prevista na PEC 412/2009 - Proposta de Emenda Constitucional que prevê autonomia à PF.

O sistema atual prevê que a escolha é feita diretamente pela Presidência da República, após o indicado passar pelo crivo do ministro da Justiça - ao qual a PF está atrelada.

O atual diretor-geral é o delegado Leandro Daiello Coimbra, no posto desde 2011 - início do primeiro mandato de Dilma.

Os delegados propõem que o novo diretor-geral ocupe o cargo por no máximo três anos, com a possibilidade de apenas uma recondução. Eles afirmam que esse modelo afasta a possibilidade de destituição do cargo a qualquer tempo e fortalece a instituição contra as interferências políticas.

Para se candidatar, o delegado federal deve ocupar a última classe da carreira e estar em atividade. Os candidatos passarão por sabatinas e debates promovidos pela classe. A Diretora de Comunicação da ADPF, Andréa Karine Assunção, afirma que a escolha do diretor-geral em lista tríplice, elaborada por seus pares, torna a indicação do dirigente mais técnica e livre de interferências políticas.

A delegada da Lava Jato é especialista em combate a crimes financeiros. Com auxílio do delegado Márcio Adriano Anselmo, foi responsável pelo início das investigações que conectarem o doleiro Alberto Youssef à Petrobras e se tornou o maior escândalo de corrupção do Brasil.

Erika foi a responsável pelo inquérito também do caso Banestado e revisou o trabalho polêmico produzido pelo ex-delegado Protógenes Queiroz na Operação Satiagraha. Antes de virar delegada, ela foi procuradora do Banco Central e técnica da Justiça Eleitoral.

Delegados de Polícia Federal informam que estariam na disputa ainda Rodrigo Teixeira, atualmente na Secretaria de Defesa Social de Minas, Marcelo de Freitas, delegado em Montes Claros (MG), e Roberto Troncon, ex-superintendente regional da PF/SP (atualmente adido da PF em Londres). Troncon é cotado, mas não se inscreveu na disputa.