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Desembarque do PMDB ganha manchetes na Argentina

A decisão do PMDB de abandonar o governo da presidente Dilma Rousseff ganhou imediatamente as manchetes dos principais portais de notícia argentinos nesta terça-feira, 29. Todos destacaram a rapidez com que a decisão foi tomada e a expressão "duro golpe" foi usada para dimensionar seu impacto. Nos canais de TV, o ato teve menor repercussão que a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e as marchas opositoras do dia 13.

O Clarín afirmou que a medida agrava sensivelmente a situação da presidente e mencionou a estratégia de Lula de contar com dissidentes peemedebistas para ter os votos necessários para barrar o impeachment.

O La Nación classificou o PMDB como a maior força política do País e destacou que a decisão levaria à possível demissão de sete ministros. O jornal salientou que a saída foi algo progressivo. Segundo a publicação, o vice-presidente Michel Temer tem um plano de governo que incluiria "cortes em programas sociais, privatizações e maior abertura comercial". Para o jornal, Dilma está à beira da destituição porque o PT precisa de 173 dos 513 deputados para frear o impeachment e o partido não teria os votos só com seus aliados menores.

Segundo o Ámbito Financiero, por contar com grandes bancadas na Câmara e no Senado, o partido "pode desequilibrar qualquer balança política". O site menciona ainda a participação do PMDB em todos os governos desde 1985. Por isso, segundo a publicação, "criou-se a lenda" de que é impossível governar sem ele.

O Página 12, mais alinhado ao kirchnerismo, usou o título "Uma saída anunciada rumo ao golpe brando contra Dilma" para definir a decisão peemedebista. O jornal destacou que o PMDB se declarou independente, mesmo em relação a um julgamento no Congresso, ocupa a presidência das duas Casas e tem o maior número de afiliados no País, o que configura um revés para "o já frágil governo de Rousseff".

O El Cronista descreveu o coro dos dirigentes peemedebistas, que gritavam "Brasil presente, Temer presidente" durante o anúncio. O Perfil foi o único site entre os principais meios de comunicação a não manter a crise brasileira como notícia principal na tarde desta terça-feira, 29. O jornal afirmou que o "partido centrista e principal da coalizão da presidente de esquerda" aprovou por unanimidade sua saída do governo.

Na Argentina, as características do PMDB são comparadas às do Partido Justicialista, ou peronista. Ambos são forças políticas com presença até nas localidades mais afastadas, o que analistas locais chamam poder territorial, dificultam a sustentação de governos dos quais não participam e aceitam políticos de todo o espectro político. O kirchnerismo é uma corrente peronista radical que tem sofrido com o afastamento de outros peronistas, que decidiram ampliar a base de Macri no Congresso.