24°
Máx
17°
Min

Dilma não deve deixar a política, diz Lindbergh

O líder da oposição no Senado, Lindbergh Farias (PT-RJ), acredita que a ex-presidente Dilma Rousseff não deve deixar a política. O senador esteve na tarde desta terça-feira, 6, na despedida da petista, que deixou o Palácio do Alvorada, em Brasília.

"É um momento triste, foi uma grande emoção vê-la entrar no avião. Mas a presidente se manteve forte, estava feliz e falando sobre o futuro. Acho que aquela ali não vai deixar a política", disse. De fato, com o fatiamento da votação do impeachment, a ex-presidente perdeu o cargo, mas não perdeu o direito de exercer funções públicas, o que deve permitir que ela se candidate novamente.

O senador esteve nesse fim de semana no Rio de Janeiro, onde disse ter conversado com eleitores. Em sua percepção, Dilma saiu com mais empatia do processo de impeachment. "Aconteceu alguma coisa, a rua mudou muito. Senti que as pessoas acompanharam o julgamento e as pessoas estão dizendo que houve uma injustiça com Dilma. Foi uma semana com símbolos muito fortes", afirmou.

Segundo Lindbergh, Dilma também perguntou sobre como foram os últimos protestos contra o governo Michel Temer que aconteceram em diferentes capitais no último final de semana. O senador está empolgado com as manifestações contra o governo. "Isso vai crescer, é uma sequência. Vai ter pressão de rua e essas mobilizações vão ser a preocupação de Temer", disse.

O senador avisou que novos protestos já estão agendados para o próximo domingo em São Paulo. Na opinião do petista, o primeiro efeito das mobilizações é dificultar a votação de medidas impopulares, como a reforma trabalhista e o Programa de Participação de Investimentos (PPI).

Obstrução

Lindbergh afirmou que a bancada está preparada para entrar em obstrução na próxima quinta-feira, 8, quando está agendada a votação de duas medidas provisórias enviadas pelo governo Temer, da reforma administrativa e do PPI.

"Quinta-feira, vamos obstruir. Não vamos nem marcar presença. O objetivo é fazer os projetos caírem e impor uma derrota ao governo Temer", disse. As duas MPs têm prazo de validade até essa quinta e, caso não sejam votadas, o governo terá de enviar novo texto ao Congresso.

O senador alega que o PPI é uma medida grave, que "abre a porteira para a privatização". Ele também argumenta que o projeto simplifica questões de licenciamento ambiental e também sofre resistência entre grupos de preservação da natureza.

Aumento STF

Também estão na pauta da próxima quinta-feira no Senado dois requerimentos que pedem urgência na votação do aumento salarial para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e para o procurador-geral da República. Nesse aspecto, não há consenso na bancada do PT.

Enquanto Lindbergh se diz contra o aumento, o senador Humberto Costa (PT-PE), líder do PT, se posicionou favorável. A questão não foi fechada na bancada e os parlamentares devem votar como acharem conveniente. A matéria conta com forte resistência dentro da própria base do governo Temer. O PSDB se posicionou claramente contra os projetos.