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Dilma repete ameaça e chantagem de Cunha na abertura deste 'lamentável processo'

(Foto: Roberto Stuckert Filho/PR) - Dilma repete ameaça e chantagem de Cunha na abertura do processo
(Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

A presidente afastada da República, Dilma Rousseff, voltou a dizer que a abertura do processo de impeachment foi uma vingança do então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PDMB-RJ), que fez isso porque o PT votou contra ele no processo por quebra de decoro analisado pelo Conselho de Ética. Respondendo a uma pergunta do senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), ela disse que o impeachment não veio das ruas. "Esse impeachment começou com 500 propostas diferentes".

Dilma voltou a dizer que ela não é julgada por lavagem de dinheiro, contas não declaradas no exterior ou desvio de dinheiro público. "E mesmo assim estou aqui me defendendo, enquanto uma pessoa pública que notoriamente cometeu crimes está protegida. Disso há que se envergonhar, e muito, todos aqueles que operaram esse julgamento. São cúmplices de um processo que começa com uma chantagem explícita, que tem um pecado na origem, que é o desvio de poder para atender os próprios interesses. Não é movimento das ruas".

A presidente voltou a dizer que haverá um golpe parlamentar se o impeachment for aprovado sem a existência de um crime de responsabilidade, como é o caso. "Desde que se prove o crime de responsabilidade, não será golpe. Mas tenho certeza absoluta que não se trata de crime de responsabilidade". Ela voltou a dizer que não era possível prever o tamanho da crise e inclusive mostrou tabelas para mostra a queda dos preços do petróleo e de outros indicadores econômicos.

O senador Cássio Cunha Lima afirmou que o processo de impeachment não nasceu no Congresso, mas sim nas ruas do Brasil. Disse também que os convidados de Dilma presentes no Senado são "ex-governo", enquanto os que foram convidados pela acusação são membros da sociedade.

Ele disse ainda que Dilma tem fugido das perguntas e lamentou que o que estamos vendo hoje, por parte da petista, é um espetáculo político e não uma defesa. "Discutir meta fiscal e contingenciamento é fugir do crime", disse. "Estamos discutindo emissão de decretos", continuou. "Desculpas em torno de crise internacional não funcionam como defesa", disse também.

Para Cássio Cunha Lima, "golpe é quebrar uma empresa como a Petrobras". Ele reiterou que Dilma cometeu crime ao abrir crédito suplementar sem autorização do poder Legislativo. "Quando a lei orçamentária autoriza a abertura de crédito suplementar, é sob uma condição, e essa condição foi desrespeitada", afirmou. "A pena é severa demais? Severo são 12 milhões de desempregados", disse.

Descontração

A presidente afastada caiu no riso durante seu interrogatório ao lembrar que lideranças de protestos de rua eram "enfáticas e esfuziantes" para tirar fotos com o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), seu principal algoz e que, como presidente da Câmara, aceitou o pedido de abertura de impeachment contra a petista.

"A vida é assim, dura", resumiu Dilma, antes de rir durante alguns segundos, ao responder à pergunta do senador Cássio Cunha Lima. Ele e Aécio Neves (MG), que atuavam na oposição à presidente afastada, também riram da situação, num dos poucos momentos de descontração na sessão, que já dura mais de seis horas.