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Diretor da OMC nega crise com Serra e diz que 'estão perfeitamente afinados'

Após encontro com o presidente em exercício, Michel Temer, no Palácio do Planalto, o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevedo, reconheceu que o Brasil vive momento de turbulência e negou divergências com o ministro de Relações Exteriores, José Serra. "Eu fico perplexo com as notícias no sentido de colocar como se o ministro Serra e eu estivéssemos em oposição. Não sei de onde vem isso, conversei com ele, nem eu e nem ele entendemos isso", disse. "Eu e ele falamos exatamente a mesma coisa: que o Brasil tem que procurar avançar nos acordos comerciais", afirmou. Azevedo afirmou que os dois "estão perfeitamente afinados" e que, inclusive, marcaram um encontro para esta terça, 14.

No último dia 2, em Paris, Serra questionou a legitimidade da OMC e disse que a instituição enfrenta imobilismo, falhou em derrubar os subsídios e barreiras sanitárias e fitossanitárias e ao apostar na Rodada Doha - o que leva o Brasil a condicionar seu engajamento a avanços objetivos.

Para Azevedo, a opinião de Serra não significa dizer que o Brasil vai abandonar a OMC. "O que ele disse é que em determinadas áreas, na área de abertura de mercados, a OMC não avançou muito, sobretudo, no contexto da Rodada de Doha. E é mais fácil avançar na abertura de mercado na área bilateral, por exemplo, do que multilateral e nós nunca discordamos", afirmou. "Nunca houve nenhuma discrepância na maneira de ver as coisas, nem minha, nem dele."

Economia

Segundo Azevedo, a visita a Temer foi de "cortesia" para colocá-lo a par das negociações e o que estão acontecendo em Genebra e também para colocar a instituição à disposição "no que for possível" para ajudar o País a recuperar o caminho do crescimento econômico "e facilitar a inserção do País nos fluxos de comercio internacionais". "Foi uma conversa muito descontraída, agradável, no sentido de aprofundar o diálogo entre governo brasileiro e a instituição, OMC, que continua sempre interessada em avançar no dialogo e inserção do pais no comercio internacional", disse.

Azevedo não quis fazer uma avaliação de como o momento político - com o processo de impeachment - interfere na visão da OMC em relação ao Brasil, mas reconheceu que há "turbulências em todas as frentes". "A OMC como instituição não se pronuncia sobre nada que acontece em nenhum país membro", disse. "O que posso dizer como diretor geral é que não é um momento fácil para o País, é um momento de turbulência em todas as frentes, em todas as áreas, na área economia em particular", disse.

Para o diretor da OMC, não se pode ignorar a profundidade da recessão brasileira. "A recessão não é pequena, não é uma coisa que se possa ignorar a profundidade. Mas acho que ninguém no Brasil, muito menos no governo brasileiro, ignora essa realidade", disse. "Estão todos trabalhando para reverter isso no mais curto prazo possível", completou, ressaltando que a OMC ajudará de todas as formas possíveis para ajudar o país a retomar o crescimento. "É um processo que não é imediato, não vai acontecer da noite para o dia tem que ser na base do trabalho", disse.

O diretor-geral da OMC disse que não vê "titubeios" na equipe brasileira nas negociações com o mercado externo durante o processo de impeachment que o País vive. "Da parte da comunidade internacional, o Brasil é um parceiro importante, uma das maiores economias do mundo e é tratado como tal".