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Doleiro da Lava Jato lavou dinheiro para empresas de Maluf, diz Justiça francesa

A decisão da Justiça francesa que condenou pela primeira vez o deputado e ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf (PP) à prisão confirma a ligação do parlamentar com o doleiro Alberto Youssef, hoje famoso pelo seu envolvimento no escândalo de corrupção na Petrobrás revelado pela Lava Jato.

O nome do doleiro chega a ser citado no acórdão de 58 páginas da 11.ª Câmara do Tribunal Criminal de Paris em referência às investigações do Ministério Público de São Paulo e do Ministério Público Federal em São Paulo que apontaram que o doleiro teria lavado US$ 2,5 bilhões entre 1994 e 2000 - parte desses recursos teriam abastecido empresas de Maluf no exterior.

O promotor de Justiça da Promotoria de Patrimônio Público e Social do Ministério Público paulista Silvio Marques chegou a ouvir Youssef em 2004, quando ele foi preso por envolvimento no caso Banestado - escândalo de evasão de cerca de US$ 30 bilhões do antigo Banco do Estado do Paraná na década de 1990.

Na ocasião ele também fez delação premiada e, segundo Silvio Marques, admitiu ter movimentado dinheiro de propina que abasteceu as contas do ex-prefeito de São Paulo.

A referência ao caso faz parte do esforço dos magistrados franceses de recuperar o extenso mapeamento da movimentação milionária da família Maluf feita pelas autoridades brasileiras, suíças e francesas.

Em várias vezes na decisão os magistrados do país europeu pontuam que o parlamentar utilizava doleiros em seu esquema para lavar dinheiro de corrupção e lavagem de dinheiro das obras do túnel Ayrton Senna e da Avenida Água Espraiada no período em que ele era prefeito de São Paulo (1993-1996).

A Corte francesa condenou o parlamentar devido à lavagem de dinheiro praticada por ele e seus familiares envolvendo contas na França.

Delação

Depois de sua prisão por envolvimento no escândalo Banestado, Youssef foi preso novamente pela Lava Jato em março de 2014. Com a nova prisão, os benefícios de seu primeiro acordo de delação foram cancelados e o juiz federal Sérgio Moro, que homologou a primeira colaboração do doleiro, retomou as ações contra ele decorrentes da investigação do Banestado que haviam sido suspensas como um dos benefícios do acordo.

Diante disso, o Ministério Público Federal e a defesa do doleiro acertaram um novo acordo de delação com condições mais severas para Youssef, incluindo o sequestro de vários de seus bens e a permanência de um período mínimo de cinco anos de prisão, para que ele revelasse mais detalhes de sua atuação como doleiro, desta vez entregando nomes de políticos envolvidos em um esquema de corrupção na Petrobras.

Em nota divulgada nesta quarta-feira, 2, a defesa de Paulo Maluf informou que já recorreu da decisão da Justiça francesa e que "todos os valores envolvidos no processo tem origem lícita, foram declarados às autoridades brasileiras e os respectivos impostos foram pagos".

Em março de 2015, ao comentar sobre as investigações contra vários políticos, inclusive de seu partido, acusados de envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras, Paulo Maluf disse: "nessa operação não tenho nada".