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Doria tem o maior déficit de campanha e Haddad, o 2º maior buraco

Auto-proclamado "gestor" na disputa pela Prefeitura de São Paulo, João Doria (PSDB) chega às vésperas do primeiro turno com o maior déficit na contabilidade de campanha entre os 493 mil candidatos que prestaram contas parciais. A diferença entre o que o tucano arrecadou e o quanto contratou de despesas é, por ora, de R$ 6,9 milhões. O segundo maior "buraco" contábil é de seu rival petista, o prefeito Fernando Haddad: R$ 5,2 milhões.

Nem todos os candidatos a prefeito paulistano estão "no vermelho". Marta Suplicy (PMDB) tem superávit de R$ 1,2 milhão, Celso Russomanno (PRB) arrecadou R$ 800 mil mais do que empenhou de despesas, e Luiza Erundina (PSOL) está R$ 19 mil "no azul".

Os dados são atualizados diariamente pelo Tribunal Superior Eleitoral e ainda devem sofrer alteração. Os comitês de campanha têm até 72 horas depois de receberem os recursos para declará-los à Justiça Eleitoral. Portanto, o balanço final do primeiro turno deve ser divulgado até o fim de quarta, dia 5 de outubro.

Doria declarou ter recebido R$ 6,3 milhões em doações por enquanto, mas já se comprometeu a pagar R$ 13,2 milhões a seus fornecedores. A maior parte das despesas da campanha do candidato do PSDB é com a empresa de marketing político Confirma 3 Comunicação Limitada (R$ 8,3 milhões), criada em julho pelo publicitário Lula Guimarães. Outro credor importante é o Ipespe (R$ 1,1 milhão), do especialista em pesquisas Antonio Lavareda.

O resto das despesas vai para empresas de propaganda, comunicação e segurança, gráficas, advogados e aliados políticos. Doria ajudou a custear a campanha de ao menos 11 candidatos a vereador, e doou recursos para o PTN, PV e PSDB.

Doria é seu maior financiador, até agora. Doou R$ 2,9 milhões para a própria campanha. Depois aparecem a Direção Nacional do PSDB (R$ 1,5 milhão) e algumas pessoas físicas, como o sócio e CEO da Multilaser, Renato Feder (R$ 120 mil). Coincidência ou não, Feder foi entrevistado pelo programa de TV Show Business logo depois de Doria ter deixado seu comando para ser candidato.

A assessoria do candidato do PSDB afirmou que "Doria havia estimado desde o início da corrida eleitoral gastar cerca de R$ 20 milhões na sua campanha e que, caso o total doado pelo partido e por terceiros não atinja esse montante, ele usará parte de seu patrimônio para cobrir as despesas restantes". O tucano declarou patrimônio de R$ 180 milhões ao TSE.

Do lado do candidato à reeleição pelo PT, a maior despesa contratada por Haddad até agora foi com a empresa individual F5BI (R$ 2,1 milhões). Segundo a assessoria da campanha, trata-se de produtora de vídeo. O administrador da empresa registrado na Junta Comercial é o publicitário Giovane Favieri, que foi citado como testemunha de defesa do empresário José Carlos Bumlai no âmbito das investigações da Lava Jato.

Os outros principais credores do petista são a empresa de comunicação Analítica, Amaral e Associados Limitada (R$ 650 mil), a Mar-Mar Gráfica e Editora (R$ 650 mil), entre outras gráficas, empresas de comunicação, marketing e advogados. Seus gastos são muito mais pulverizados do que os do tucano, com dezenas de pessoas físicas entre os credores.

A Direção Municipal do PT é a principal doadora da campanha de Haddad, com R$ 1,8 milhão. A seguir aparecem pessoas físicas, com destaque para o empresário e político Walfrido dos Mares Guia (R$ 300 mil). Como Haddad, ele foi ministro do governo Lula e é um dos principais sócios da Kroton Educacional, maior grupo empresarial do setor de educação do País e maior recebedora de recursos federais do Financiamento Estudantil (Fies).

Segundo a assessoria da campanha de Haddad, "o processo eleitoral está em curso, assim como o processo de arrecadação da campanha junto a pessoas físicas, que obedece as regras do TSE". A assessoria afirma que uma série de doadores se comprometeu a fazer suas doações nas próximas semanas e que a campanha "irá honrar seus compromissos".

Os candidatos podem empenhar despesas até o dia da eleição. Depois disso, só podem arrecadar para quitar as despesas que tiverem sido contratadas antes do pleito. O "deadline" é a entrega da prestação final de contas de campanha. Se, depois disso, sobrarem dívidas, elas podem ser assumidas por um partido político, desde que obedecidas algumas regras: anuência dos credores, decisão da direção nacional do partido, cronograma de pagamentos e a indicação da fonte de recursos para pagá-las.