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Em Curitiba, Gabeira fala sobre interferências da política na economia brasileira

Gabeira fala sobre o "voo da galinha" para definir economia brasileira

“Como a política interfere na economia e vice-versa?” Este foi o tema proposto pelo jornalista, escritor e ex-deputado federal Fernando Gabeira, que foi o convidado do Estrela ADVB de agosto, promovido pela Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil, sessão Paraná. O evento aconteceu nesta quinta-feira (18), no Hard Rock Café.

Gabeira pegou o microfone e começou falando sobre Curitiba, fazendo referências à operação Lava Jato. “Curitiba é uma cidade mítica. Muitos brasileiros têm medo de vir para cá”, se referindo à força-tarefa, que se concentra na capital paranaense e que foi responsável pelas prisões de políticos e grande empreiteiros.

Começando a falar sobre o tema, o jornalista lembrou os casos de Collor e Lula para defender que o sistema político brasileiro propicia a prática da corrupção. “Ambos (Collor e Lula) eram esperanças para os seus segmentos e prometiam combater a corrupção. Mas hoje estão na mesa”, afirmou.

Ele defendeu que é um erro, quando se trata de economia, defender “fanatismos”. “Durante meu exilio, fui trabalhar como jornalista na Alemanha. Em uma entrevista, um ministro húngaro relatou que alguns queriam que o Estado controlasse a economia. Outro, que o mercado a dominasse. Isso não funciona, precisa haver um equilíbrio.”

Para Gabeira, um dos problemas políticos que geram incertezas na economia é o populismo. “A economia de um país envolve problemas complexos, mas a população quer respostas simples. E o populismo é o principal adversário da política e da própria economia”, destacou.

Em vários momentos, o ex-deputado federal falou sobre o governo do Partido dos Trabalhadores e comentou sobre o que chamou de “socialismo do século XXI”. “Quando o PT entrou (no governo, em 2012) o socialismo já tinha fracassado. Mas existe o socialismo do século XXI: você chega através das eleições e vai conquistando o poder aos poucos, através de instituições como o parlamento, a justiça e a própria imprensa”, explicou.

Ele defendeu que isso funcionou até a crise econômica em 2008, quando o PT tomou uma atitude que, para Gabeira, não foi acertada. “A compressão do governo era de que o mercado não estava funcionando e por isso, o Estado precisaria intervir mais. O PT achou que o caminho era aumentar o consumo”, afirmou.

Por outro lado, para o jornalista, a corrupção praticada à época era relevada pelo governo, devido ao crescimento econômico do país. No entanto, diversos fatores, segundo Gabeira, fizeram com que a economia brasileira, em tempos de crise mundial, começasse a ruir. Especialmente os gastos públicos. “Não há no Brasil uma preocupação com os gastos públicos”, defendeu.

Para ele, aos poucos, a corrupção se tornou sistêmica e organizada no Brasil, mas a Lava Jato surgiu como uma ferramenta para combater os desvios, assim como as novas tecnologias e o fácil acesso às informações. “Graças à cooperação internacional, por exemplo, é possível investigar contas no exterior, algo que alguns anos atrás era impensável”, explicou.

No entanto, de acordo com Gabeira, esses fatores de instabilidade política colaboram com a falta da “sustentabilidade” da economia. “A economia brasileira é que nem o voo de uma galinha. Até consegue subir a uma determinada altura, mas não consegue se sustentar e volta para o chão. Então a economia precisa ser mais sustentável, tanto em termos ambientais como da própria economia”, explicou.

Mesmo assim, ele acredita o Brasil pode voltar a crescer. No entanto, para ele, isso não acontecerá pelas mãos dos políticos brasileiros. “Não é possível acabar com a corrupção, isso é utopia. Mas é possível administra-la. Eu acredito que a reforma política, por exemplo, vai acontecer em etapas, a partir de propostas da própria sociedade”, afirmou, citando os exemplos da Lei da Ficha Limpa e das 10 medidas contra a corrupção, dois projetos originados fora do parlamento.

Por fim, Gabeira destacou que 2018 será um ano muito importante para o futuro do Brasil. “Em 2018, temos a chance de tentar de novo, aprendendo com os nossos erros. O brasileiro é conhecido por resolver problemas insolúveis, assim como foi nas Olimpíadas. Então, é preciso reformular tudo, sempre olhado para aquilo de positivo que já existe”, finalizou.