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Em depoimento a Moro, Lula diz ser 'o maior interessado na verdade'

ESTELITA HASS CARAZZAI E WÁLTER NUNES

CURITIBA, PR, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou depoimento nesta quarta-feira (30) na Justiça Federal de São Bernardo do Campo (SP) como testemunha no processo da Lava Jato contra o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Lula foi convocado a pedido da defesa do ex-deputado.

O depoimento foi prestado por meio de videoconferência. Cunha também participou da audiência, mas na Justiça Federal em Curitiba.

No primeiro encontro com o juiz Sergio Moro, o ex-presidente afirmou que é "o maior interessado na verdade".

"Eu fui inclusive comunicado pelos meus advogados que não seria necessário responder, mas eu quero dizer que faço questão de responder, que o maior interessado na verdade sou eu", afirmou Lula a Moro, no início da audiência.

O ex-presidente confirmou que o PMDB, PP e PT faziam indicações às diretorias da Petrobras.

"Eu já expliquei mais de uma vez que, quando o partido compõe uma aliança política para governar, todos os partidos que integram essa aliança podem reivindicar ministério ou cargo. Assim que era montado antes, durante e depois. E assim que é montado agora", afirmou.

Ele atribuiu ao PMDB as indicações à diretoria Internacional da Petrobras, como de Nestor Cerveró e Jorge Zelada.

"Só tem uma exigência que nós fazemos: é que a pessoa seja tecnicamente competente, que tenha conhecimento da atividade que vai fazer. E todos eles que foram indicados têm competência e história dentro da Petrobras", afirmou Lula.

Disse, porém, desconhecer qualquer participação de Cunha nesse processo ou na compra do campo de petróleo de Benin, alvo da acusação contra o peemedebista.

Testemunha no mesmo processo, o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, afirmou desconhecer o processo de indicação de diretores na Petrobras e disse não ter informações sobre o poço de Benin. "Não tenho nenhum conhecimento; não sei nem onde fica Benin", afirmou.

Lula e Bumlai saíram pela garagem e não falaram com os repórteres. Os depoimentos não puderam ser acompanhados pela imprensa.

A reportagem procurou a defesa de Lula e sua assessoria, mas não foi atendida. Cerca de 30 manifestantes estiveram em frente ao prédio da Justiça Federal de São Bernardo do Campo protestando a favor do ex-presidente.

Eduardo Cunha é acusado de receber propina de contrato de exploração de petróleo em Benin, na África, e de usar contas na Suíça para esconder o dinheiro ilegal. Ele está preso desde o dia 19 de outubro.