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Em depoimento, Marcos Valério diz temer pela vida e nega participação em fraudes na Lava Jato

(Foto: Agencia Brasil/Arquivo) - Em depoimento, Marcos Valério diz temer pela vida
(Foto: Agencia Brasil/Arquivo)

Durante o depoimento prestado na 13ª Vara Federal, em Curitiba, ao juiz Sérgio Moro e a promotores do Ministério Público Federal (MPF) na tarde desta segunda-feira (12), o empresário e publicitário Marcos Valério, réu da 27ª fase da Operação Lava Jato, alegou temer pela própria vida ao se negar a responder uma pergunta.

Essa etapa da operação investiga um empréstimo do pecuarista José Carlos Bumlai junto ao Banco Schahin que teria como beneficiário o PT. O MPF acredita que parte do dinheiro foi utilizado pelo partido para pagar o empresário Ronan Maria Pinto, dono do jornal Diário do Grande ABC.

A declaração de Valério foi feita quando um representante do MPF perguntou qual seria o trunfo de Ronan Pinto para chantagear os petistas. O publicitário pediu a Moro autorização para não responder à pergunta e, então, dirigiu-se ao promotor que o havia questionado: “o que eu fiquei sabendo é muito grave e o senhor não vai poder garantir a minha vida”.

Marcos Valério negou participação no empréstimo que é foco dessa fase da operação. Ele disse que foi procurado em 2004 pelo então secretário-geral do PT, Silvio Pereira, que teria pedido R$ 6 milhões a serem pagos para o empresário Ronan Maria Pinto. O publicitário conta que chegou a aceitar a transação, mas desistiu ao descobrir as circunstâncias “graves” que envolviam o negócio.

O depoente disse que testemunhou, no ano seguinte, uma reunião entre o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e representantes do Banco Schahin. Segundo ele, foi nesse encontro que ficou sabendo que a transação havia sido concretizada.

Valério disse, ainda, que foi informado pelo ex-presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Paulo Okamotto, de que o dinheiro havia sido levantado por meio de um empréstimo do pecuarista José Carlos Bumlai no Banco Schahin. Okamotto também teria revelado a ele que o empréstimo havia sido quitado por meio de um contrato firmado entre o banco e a Petrobras.

Outros depoentes

O ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, também prestou depoimento pela mesma fase da Operação Lava Jato. Ele falou por cerca de meia hora e negou a versão de Marcos Valério de que teria tratado do empréstimo com representantes do Banco Schahin. O ex-tesoureiro disse ter tomado ciência da operação pela imprensa.

Delúbio e Marcos Valério já foram condenados no processo do mensalão. O primeiro cometeu os crimes de formação de quadrilha e corrupção ativa e o segundo foi condenado por formação de quadrilha, corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

 O terceiro depoente da tarde, o jornalista Breno Altman, foi interrogado por cerca de 15 minutos. Ele negou ter participado de reuniões para tratar dos empréstimos investigados pela operação.

Com informações da Agência Brasil