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Encurtar sessão é 'golpe do golpe', dizem governistas

Senadores da base do governo não estão satisfeitos com a possibilidade de encurtar a sessão que discute o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. No início da sessão, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sinalizou que poderia encerrar as discussões e partir direto para a votação.

"É o golpe dentro golpe. Não podem nos impedir de falar", disse o líder do PT, Paulo Rocha (PA). De acordo com ele, essa sugestão é uma estratégia da oposição, já que os governistas estão inscritos mais para o final da lista. Caso a discussão seja suspensa, eles não teriam a oportunidade de falar.

Até o momento, apenas 15 dos 68 senadores inscritos falaram. Apenas um deles discursou a favor da presidente Dilma, o vice-líder do governo, Telmário Mota (PDT-RR). Nos cálculos da assessoria técnica do Senado, a votação em si deve ser realizada apenas às 5h da manhã.

Para o líder do governo, Humberto Costa (PT-PE), a atitude é uma "violência". Os governistas aparecem na lista de oradores por volta da metade, já os principais porta-vozes do governo, como líderes, e o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), estão entre os últimos.

Independentemente da insatisfação dos governistas, talvez não seja possível conter a redução da sessão do impeachment. Como o próprio Renan sinalizou, a sugestão de encerramento da fase de discussão pode ser feita regimentalmente por meio de um requerimento.

"Eu quero só lembrar aos senadores que, à medida que esta sessão se estenda, na forma do Regimento, se for o caso, eu aceitarei requerimento para que nós possamos encerrar a discussão e passarmos à votação", disse Renan. Colocado o requerimento em votação, o governo hoje tem minoria no plenário, e não tem certeza se conseguiriam derrubar a proposta.