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Estou à inteira disposição das pessoas sérias do MP e da PF, diz Lula

Ao falar sobre a denúncia apresentada pela força-tarefa da Lava Jato contra ele, sua mulher, Marisa Letícia, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto, o empreiteiro da OAS Léo Pinheiro e mais quatro pessoas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, 15, que está à disposição para ser investigado e pediu "às pessoas boas" do Ministério Público que não permitam que "meia dúzia" estrague o histórico da instituição.

"Querem me investigar, me investiguem, querem que eu preste depoimento, que convoquem. Só quero que sejam verdadeiros e honestos comigo, que respeitam a dona Marisa", disse, com voz embargada, ao falar da esposa, que também foi denunciada nesta quarta-feira pela força-tarefa da Lava Jato. Lula disse que não conhecia os parentes "desses meninos", ao se referir aos procuradores, mas que "certamente não são melhores que a dona Marisa". Ele também se emocionou ao lembrar que passou fome com os irmãos.

Lula pediu ainda que os procuradores peçam desculpas a ele se não puderam provar crimes contra o ex-presidente. "A palavra desculpa é nobre, mas não continuem tentando inventar coisa para justificar a primeira mentira, única coisa que eu peço para vocês é que respeitem minha família", falou o petista.

O ex-presidente disse que está à "inteira disposição" das pessoas sérias do Ministério Público e da Polícia Federal e, inclusive, sugeriu aos procuradores que levem seu acervo guardado no Banco do Brasil para o prédio do MPF. "Coloquem meu acervo lá, por favor, eu não tenho onde guardar."

Ao falar sobre o governo de coalizão, para conseguir apoio político, em referência à acusação contra ele do Ministério Público, ele questionou como Rodrigo Janot teria montado sua equipe no MP e como se montou a equipe de delegados da Polícia Federal. Lula falou que o PT deve ter orgulho por dar exemplos de boa governança.

Ao se encaminhar para o final do discurso, Lula tirou seu casaco e mostrou que estava com uma camiseta vermelha com a logomarca do PT. "Eu vou beijar (a camiseta) e quero dizer a quem não gosta do PT, a quem odeia o PT, que daqui para frente, cada petista nesse país tem que começar a andar de camisa vermelha."

Provas

Lula disse também não compreender a convocação de uma coletiva, feita ontem pela força-tarefa da Lava Jato, para falar de "convicção" e não apresentar provas. E lembrou a história do helicóptero apreendido pela Polícia Federal com quase meia tonelada de cocaína. "Eles viram o avião, a cocaína, mas não tinham convicção", ironizou.

No pronunciamento, o petista disse que ninguém respeita a lei neste País como ele. E, chorando, disse que conquistou o direito de andar com a cabeça erguida. "Provem, provem uma corrupção minha que eu irei a pé para ser preso. Sinceramente pensei que estava em outro País." E questionou: "A custa de quê todo esse espetáculo?"

Ele disse que se o tirarem da política, o País enfrentará muitos problemas. "Meus acusadores e parte da imprensa estão mais enrascados do que pensam que eu estava. Vocês terão problema com o golpe que deram, com a retirada dos direitos dos trabalhadores deste País, de entregar nosso pré-sal e Petrobras, a Caixa Econômica Federal, assim não precisa de governo, é só colocar um vendedor. "Governo de verdade é aquele que diz que pobre tem direito de andar de avião, de ser engenheiro, médico e até procurador."

Lula lembrou ainda que tem uma vida política neste País, de caminhada para criar o PT. "O que me faz caminhar pelo País são minhas ideias, com a convicção, senhores procuradores, de que este País pode ser melhor, que é possível mudar este País. Participei da maior inclusão social neste País, sem dar um tiro. Não consigo entender (a denúncia da Lava Jato). Sou hoje cidadão que construiu a vida comendo pão que o diabo amassou."