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'Eu não faço política com fígado, pelo contrário, sou um conciliador', diz Doria

O candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, João Doria, afirmou nesta terça-feira, 2, em entrevista à TV Estadão que respeita a Justiça, mas não fez nada de errado nas prévias do PSDB. Segundo ele, os rivais de dentro do partido que lhe acusam de compra de votos e abuso de poder econômico e lhe denunciaram ao Ministério Público não estão buscando Justiça, mas sim reclamando porque perderam. "Eu respeito a Justiça, mas não tenho nenhum temor, porque não fizemos nada de errado".

Doria disse que trata seus adversários dentro do partido com respeito. "Eu não faço política com fígado, pelo contrário, sou um conciliador". Segundo ele, com o tempo os ânimos vão decantando. "Espero que com o tempo todos possamos estar no mesmo caminho, com a mesma bandeira". Ele citou nominalmente o ex-governador Alberto Goldman e o chanceler José Serra, além do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem disse que deve se encontrar em breve. "O FHC é um sábio, eu tenho enorme respeito e grande admiração por ele, mas é lógico que ele não vai mergulhar na campanha, ir para a rua", comentou.

O candidato diz que a escolha de Bruno Covas como seu vice foi natural, até por ele também ter disputado as prévias, e ressaltou o caráter integrador do companheiro. "Há 20 anos o PSDB não tinha chapa pura para a Prefeitura ou o governo do Estado", afirmou. Segundo ele, mesmo sem rifar o cargo de vice seu partido conseguiu construir uma aliança com outras 12 legendas.

Questionado sobre a investigação do MP de que o governo do Estado nomeou Ricardo Salles para o Meio Ambiente em troca do apoio do PP à candidatura encabeçada pelo PSDB, Doria disse que Salles sempre foi próximo ao governador Geraldo Alckmin e que a nomeação é absolutamente normal. "Todos os governos, estaduais e mesmo o federal, fazem isso. Essas alianças fazem parte da política, não só no Brasil, como no mundo inteiro".

Doria afirmou que não vai "lotear" as subprefeituras, que inclusive serão rebatizadas de "prefeituras regionais". "Eu deixei isso claro para os presidentes dos diretórios municipais dos partidos que nos apoiam. Vão ser indicadas pessoas do bairro, com ficha limpa e competência comprovada".

O tucano voltou a defender privatizações, afirmando que não faz sentido a Prefeitura manter equipamentos como o Anhembi, por exemplo. Ele disse ainda que vai conceder os corredores de ônibus, para melhorar o sistema de otimizar o uso. Segundo o candidato, as empresas que vencerem a licitação obterão receita com publicidade nos aplicativos para celular que devem ser criados para ajudar a população a se orientar. "Isso não vai aumentar o custo, nem mesmo para a concessionária".

Doria evitou falar mal do atual prefeito, Fernando Haddad, mas disse que as pesquisas de intenção de voto mostram que a população não aprova a administração atual. Já ao governador Alckmin ele não poupou elogios e reconheceu que uma eventual vitória sua daria mais força para o líder tucano disputar a Presidência em 2018.

Sobre temas da cidade, Doria disse que é a favor da inspeção veicular, mas sem cobrança para o cidadão. Também se disse contra demolir o Minhocão, preferindo transformá-lo em um parque linear permanente. Ele afirmou que não é a favor de tirar nomes de militares de espaços públicos. "Isso não me parece o melhor gesto, se formos dentro dessa lógica mudar muitos nomes de ruas, praças, aeroportos". Já sobre o fechamento da Avenida Paulista aos domingos ele disse que o projeto é bom e será mantido.

No caso das ciclovias, ele disse que elas também serão mantidas, exceto em lugares onde não há ciclistas nem a lazer nem a trabalho. "Em vias onde não há calçadas não faz sentido ter ciclovias, e o mesmo acontece onde elas atrapalham o comércio. Entre a ciclovia e o comércio, que gera emprego e renda, eu prefiro o comércio".