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Executivos da Queiroz Galvão se calam na PF

Investigados por suspeita de pagar R$ 10 milhões ao ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra (morto em 2014) para barrar a CPI da Petrobras em 2009, de pagar caixa 2 para a campanha do ex-presidente Lula em 2006 e de participar do cartel que dividia licitações na Petrobras e pagava propinas a dirigentes da estatal e políticos, os executivos ligados à empreiteira Queiroz Galvão Ildefonso Colares Filho e Othon Zanoide de Moraes ficaram em silêncio na Polícia Federal.

Eles seriam ouvidos pela delegada Renata da Silva Rodrigues, responsável pelo inquérito que investiga a atuação da empreiteira no esquema de corrupção na Petrobras, mas optaram por exercer o direito ao silêncio e não comentar sobre os episódios sob investigação envolvendo a última grande construtora do "Clube Vip" do cartel do setor revelado pela Lava Jato. Os dois executivos estão presos preventivamente por ordem do juiz Sérgio Moro desde o dia 2 de agosto, quando foi deflagrada a Operação Resta Um, a 33ª fase da Lava Jato.

A Queiroz Galvão tem contratos em obras de quatro refinarias, Abreu e Lima (PE), Revap (SP), Landulpho Alves (BA) e Duque de Caxias (RJ), e no Complexo Petroquímico do Rio (Comperj) sob investigação.

"Foi identificado, durante a Lava Jato, como o terceiro (grupo) com maior volume de contratos celebrados com a Petrobras, alcançando um total superior a R$ 20 bilhões", informou o Ministério Público Federal quando a operação foi deflagrada.

A Lava Jato chegou aos escândalos envolvendo a Queiroz Galvão após vários delatores apontarem o envolvimento da empreiteira com o esquema na Petrobras e a investigação conseguir reunir provas endossando o conteúdo das delações, como o vídeo no qual o ex-senador Sérgio Guerra e o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) aparecem conversando com executivos da empreiteira e o lobista Fernando Baiano discutindo, segundo a Procuradoria-Geral da República, "a necessidade de concluir as investigações da CPI da Petrobras de 2009 preferencialmente com um relatório genérico sem a responsabilização das pessoas".

O episódio já rendeu uma denúncia contra o deputado federal no Supremo Tribunal Federal e agora a força-tarefa m Curitiba apura a atuação dos investigados sem foro privilegiado. Ouvido no inquérito no Supremo, antes de ser preso neste ano, Ildefonso negou que tivesse participado do encontro registrado em vídeo e no qual ele aparece.

A empreiteira não tem comentado as investigações em andamento. O PT afirma que todas as doações recebidas pelo partido foram legais e registradas e o PSDB vem reiterando que apoia o andamento das investigações.