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Filho de condenado no escândalo Sanasa (Campinas) é alvo da 35ª fase da Lava Jato

Filho de Aurélio Cance, condenado no escândalo Sanansa (empresa de água da prefeitura de Campinas, em São Paulo), Thiago Cance foi um dos alvos de condução coercitiva nesta segunda-feira, 26, na 35ª fase da Operação Lava Jato - batizada de Omertà.

O nome do investigado apareceu na análise dos documentos recuperados no computador da delatora Maria Lucia Tavares, do departamento Operações Estruturadas da Odebrecht - o "departamento da propina" - referente a entregas de recursos ilícitos em espécie.

Dois nomes que aparecem são de "Rovério Pasotto e Thiago Cance". O primeiro é gerente da Sanasa, em Campinas, e Thiago filho de Aurélio Cance, condenado no escândalo que derrubou o ex-prefeito de Campinas Hélio de Oliveira Santos, o Dr Hélio (PDT). Em 27 de julho de 2010, ele se hospedou em um hotel que constava como endereço de entrega de valores da Odebrecht. "A pessoa de Rovério Pagotto Júnior é Gerente de Planejamento e Projetos da Sanasa, instituição envolvida em investigações de corrupção em relação a contratos firmados durante a gestão do ex-prefeito de Campinas Hélio de Oliveira Santos", registrou o delegado da Polícia Federal Filipe Hille Pace, da equipe da Lava Jato.

"No mesmo contexto, identificou-se, ainda, que Thiago Cance (também referido como um dos destinatários de recursos ilícitos entregues pelo setor de operações estruturadas da Odebrecht), é filho de Aurélio Cance Junior, pessoa também envolvida em esquema de corrupção envolvendo a Sanasa."

"Especificamente em relação a Thiago Cance, verificou a autoridade policial que no endereço da entrega destinada a Thiago Cance, foi confirmada a existência de três hospedagens do investigado no ano de 2010, sendo que, em duas das três vezes, Thiago Cance deixou o hotel na mesma data de sua entrada, circunstância essa que reforça a convicção de que, de fato, a sua estadia no hotel tenha sido concretizada unicamente para receber os recursos ilícitos a ele destinados", informa o delegado.

A Lava Jato afirma que "em outros casos de corrupção e lavagem de ativos, a realização de encontros e reuniões em hotéis é prática comum entre os envolvidos, utilizando o local como forma de inviabilizar a descoberta das tratativas e da entrega de recursos em espécie".

Capivari

Os investigadores da Lava Jato afirmam que é possível fazer a vinculação dos supostos recursos ilícitos com obra realizada pelo Grupo Odebrecht para a Sanasa. "Verificou-se que, no ano de 2010, consórcio liderado pela Odebrecht foi contratado pela Sanasa para execução do Programa de Saneamento Capivari II.", dizem.

"Analisadas em conjunto as entregas de recursos destinadas a Rovério Pagotto Junior e Thiago Nunes Cance e constatado que ambos os investigados possuem relação com a Sanasa e que a Odebrecht, naquele ano, obteve contrato para execução de obra relativa à Sanasa, é bastante provável que os recursos espúrios tenham relação com o contrato obtido pela Odebrecht",

assinalam.

Dr. Hélio foi cassado após denúncias de um esquema de corrupção na Sanasa, autarquia que cuida dos serviços de água e esgoto no município. Segundo promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual (MPE), lobistas pagavam propinas a políticos e funcionários públicos vencer licitações.

Neste caso, havia a combinação de preços entre concorrentes para superfaturamento dos valores. Depois, dividia-se os lucros entre as empresas e membros do governo municipal. Para o MPE, o esquema teria causado prejuízos de R$ 615 milhões aos cofres públicos.