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Fotos na Plataforma Lattes são trocadas em protesto contra extinção de ministério

Pesquisadores e cientistas trocaram as fotos na Plataforma Lattes em campanha contra a fusão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação com o das Comunicações. No lugar, eles postaram imagens com a inscrição #FicaMCTI. A Plataforma Lattes é mantida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e traz uma versão acadêmica dos currículos profissionais, com informações sobre linhas de pesquisa, publicações, instituições a que estão ligados.

Entre os que trocaram suas imagens estão o matemático Artur Avila, ganhador da Medalha Fields 2014, o físico Sergio Rezende, ex-ministro de Ciência e Tecnologia no governo Lula, o filósofo Renato Janine Ribeiro, ex-ministro da Educação no governo Dilma Rousseff, o físico Paulo Artaxo, integrante do Painel Internacional de Mudanças Climáticas da ONU.

"É um retrocesso, mesmo que tenham muitas pessoas falando o contrário, dizendo que o importante é manter a verba. Não somos ingênuos. Ao longo da história do nosso País levamos um processo longo para estruturar o sistema de Ciência e Tecnologia e Inovação. O país não tem esse sistema consolidado, por mais que tenhamos avançado. Um país só é soberano e robusto quando domina a sua educação, ciência, tecnologia e inovação", afirmou a química Vanderlan da Silva Bolzani, vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Segundo ela, o ministro das Comunicações, Gilberto Kassab, tem encontro com a comunidade científica marcada para esta quarta-feira, 8, em São Paulo. "Não se faz ciência, tecnologia e inovação com política de governo, mas com política de Estado - entra e sai governo e a política tem de ter seguimento. Eu vejo como um enfraquecimento essa mudança de ministério para secretaria".

A mudança das fotos é uma ação proposta pela Associação de Docentes da UFRJ (ADUFRJ), que lançou em maio a Frente Contra a Extinção do MCTI. Foi criado ainda um site sobre a campanha: http://ficamcti.redelivre.org.br. Na página, há orientações para a troca das fotos e um botão permite o envio de mensagens de protesto ao Congresso Nacional, numa tentativa de pressionar parlamentares para que a fusão seja revista.