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Gim Argello teria intermediado R$ 5,3 milhões em propina para barrar empreiteiras

(Foto: Pedro França/ Agência Senado) - Gim Argello teria intermediado R$ 5,3 milhões em propina para barrar empreiteiras
(Foto: Pedro França/ Agência Senado)

O Ministério Público Federal (MPF) informou que há indícios que o ex-senador Gim Argello recebeu propinas de pelo menos R$ 5,3 milhões no período da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou os casos de corrupção na Petrobras, em 2014. Segundo o MPF, há evidências de pagamento de propina de R$ 5 milhões por parte da UTC Engenharia e outros R$ 350 mil da OAS. São investigadas ainda propinas de outras empreiteiras envolvidas nos casos de corrução na Petrobras.

A delação premiada de Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, indica que o dirigente procurou o então senador para evitar que fosse convocado a depor nas comissões parlamentares de inquérito. “Após acertos, pagou a quantia de R$ 5 milhões a Gim Argello, o que foi feito usando mecanismos de dissimulação (lavagem de dinheiro)”, sinaliza o MPF em nota.

O ex-senador teria orientado que tal valor fosse dividido e doado aos diretórios distritais de quatro partidos políticos: DEM (R$ 1,7 milhão), PR (R$ 1 milhão), PMN (R$ 1,150 milhão), e PRTB (R$ 1,150 milhão). Estes partidos e o PTB formaram, em 2014, a coligação "União e Força", pela qual Gim Argello disputou a candidatura para um novo mandado de senador pelo Distrito Federal.

Segundo o MPF, a UTC fez as doações solicitadas por Gim Argello entre julho e outubro de 2014. Ricardo Pessoa não foi convocado para prestar depoimento nas comissões.

No caso da OAS, foram verificadas mensagens no celular do presidente do Grupo OAS, Léo Pinheiro, que indicavam ligação com Gim Argello. O aparelho foi apreendido na sétima fase da Operação Lava Jato. Em mensagem enviada a executivos da OAS no dia 14 de maio, data da instalação da CPI da Petrobras no Senado, Léo Pinheiro solicita que seja feito o pagamento de R$ 350 mil para uma conta bancária de uma paróquia, apontando como centro de custo a “Obra da Renest” (referência à RNEST, refinaria da Petrobras).

O ex-senador, conforme o MPF, é associado na mensagem pelo nome de “Alcóolico”, sendo uma referência ao nome usado pelo político e em um trocadilho com a bebida gim. A denominação foi evidenciada em troca de mensagens de Léo Pinheiro com Otávio Marques de Azevedo, presidente do Grupo Andrade Gutierrez, outra das empreiteiras envolvidas no pagamento de propinas a agentes da Petrobras.

Colaboração Ministério Público Federal