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Governo adia anúncio de demarcação de terras indígenas

Os índios chegaram a fazer suas danças tradicionais no Salão Negro do Palácio da Justiça. Em clima de festa, aguardavam o anúncio de demarcações de terras aguardadas há décadas por suas aldeias. O governo, no entanto, conseguiu frustrar duplamente a expectativa dos povos indígenas.

A cerimônia, que até as 14h estava confirmada para ocorrer no Palácio do Planalto, com a presença da presidente Dilma Rousseff, foi cancelada sem explicações. De uma hora para outra, o evento foi transferido para o Palácio da Justiça. O anúncio das demarcações, no entanto, também não veio.

Em poucos minutos, o ministro da Justiça, Eugênio Aragão, disse apenas que Dilma, preocupada com o processo de impeachment no Senado Federal, teve que "se concentrar" em sua defesa.

Sobre as aguardadas demarcações, Aragão afirmou apenas que, em análise final feita hoje, foram verificadas "pendências técnicas" nas áreas que seriam anunciadas, e que, por isso, foi decidido adiar o anúncio. "Não é descaso, haverá outras oportunidades", declarou Aragão.

O ministro disse que o governo homologou recentemente cinco terras indígenas e que há outras três "na gaveta e mais sete em estudos". "Peço desculpas pela ausência de Dilma. Ela ficou no Palácio para acompanhar as discussões", disse.

"O governo está fechando uma lista de terras e do que poderá ficar pronto até o dia 11 de maio. Não vamos adiantar os nomes das áreas para não frustrar e nem adiantar expectativas, e também para não gerar conflito judicial. Por isso, não daremos os nomes das áreas."

Aragão afirmou que, na próxima segunda-feira, 2, o Diário Oficial da União já trará algumas homologações de terras demarcadas. A cerimônia continuou sem a presença do ministro.