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Governo buscará votos contra impeachment entre partidos médios, diz líder do PT

Após reunião com líderes de movimentos sociais e deputados da bancada, o líder do PT na Câmara, Afonso Florence (BA), disse nesta terça-feira, 12, que a palavra de ordem é buscar o voto do contingente de indecisos para impedir o prosseguimento do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, principalmente entre os partidos médios (PP, PR e PSD).

Para Florence, nenhum dos lados têm atualmente o número exato de votos contra ou a favor do afastamento, mas ele garante que a oposição não tem os 342 apoios necessários para garantir o impedimento da presidente da República. "O que vamos fazer é o óbvio. A gente vai pegar o quadro dos indecisos e dizer que não tem crime de responsabilidade e que impeachment sem crime de responsabilidade é golpe", afirmou.

Os petistas continuarão no "corpo a corpo" dos deputados que ainda têm dúvidas, insistindo que o impeachment foi aberto pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), num ambiente de "chantagem política" e vingança. Mesmo após a aprovação do parecer do deputado Jovair Arantes (PTB-GO) na Comissão Especial por 38 votos a favor e 27 contra, o líder do PT disse que a "tropa" está animada porque a oposição não conquistou dois terços dos votos no colegiado.

Ele alegou que houve algumas defecções entre os aliados do governo em virtude de uma articulação bem sucedida dos oposicionistas, entre eles do presidente da Câmara. Florence afirmou que a questão da judicialização do processo não foi discutida na reunião desta manhã.

O petista disse ver espaço em partidos como PSD, PR e PP para conquistar votos pró-governo. "Tem um contingente de indecisos que ninguém sabe o que vai fazer", comentou. Para ele, muitos deputados ainda se colocam como indecisos por medo de retaliação.

Sobre o vazamento do áudio em que o vice-presidente Michel Temer fala como se o impeachment já tivesse sido aprovado, Florence classificou o conteúdo gravação como "jogada ardilosa" de um "traidor" do governo.

"O vice presidente, além de golpista, entra para a história como o 'miqueiro' do golpe, é o segundo mico que ele paga para a história. Como disse antes: de constitucionalista para golpista", declarou. Florence chegou a afirmar que imagina a possibilidade de Temer renunciar. "Se ele vai se sentir à vontade para continuar vice-presidente, é uma decisão de foro político e pessoal. De fato, a relação (com ele) não é de confiança." Ao final, Florence afirmou que Cunha desestabilizou a República após assumir o comando da Casa e que passado esse processo, será o momento de restabelecer as pontes de diálogo. "Temos de estabilizar a República", defendeu.

Clima de eleição

Durante a reunião, deputados que participaram da conversa disseram que o clima é de reta final de campanha eleitoral. "É final de Copa do Mundo. Vamos correr atrás de voto. É uma disputa por indecisos, o jogo é esse", resumiu o deputado Zé Geraldo (PT-PA). O deputado negou que o resultado da Comissão Especial tenha sido inesperado.

"O jogo não é fácil para nós. A parada é pesada com a condução do Eduardo Cunha", afirmou. Zé Geraldo disse que a expectativa é que os governistas ganhem no plenário, "mas não com uma folga grande". "É como se fosse uma eleição".