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Governo conseguirá barrar impeachment, diz governador do Maranhão

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), se reuniu nesta sexta-feira, 15, com a presidente Dilma Rousseff e afirmou após o encontro ter certeza de que o governo terá uma margem de votos suficiente para impedir a aprovação do impeachment na Câmara. "Temos convicção que teremos margem de votos para impedir 342 votos pró-impeachment", comentou.

Dino disse que só nesta sexta o governo conseguiu converter três votos no Maranhão que eram favoráveis ao impeachment, e outros três ou quatro do Amapá. "Chegaremos facilmente a 20 ou 30 votos modificados até domingo", afirmou. O governador do Amapá, Waldez Góes, também participou do encontro com Dilma nesta tarde. Mais cedo, a presidente se reuniu com os governadores da Bahia e do Ceará. "Os governadores do Nordeste estão confiantes que a Câmara manterá o jogo democrático", afirmou Dino.

Segundo o governador, há uma ilusão de que, se o impeachment passar na Câmara no domingo, haverá imediatamente uma melhora na governabilidade. Ele disse, no entanto, que o processo no Senado pode se arrastar por meses, prejudicando a economia. "Se o impeachment passar na Câmara, haverá uma situação de dualidade, com a presidente Dilma e o novo governo, e isso vai paralisar as instituições. A solução será postergada para 2017", explicou.

O governador disse que a presidente Dilma está tranquila e firme, primeiro, segundo ele, porque não cometeu nenhum crime, e segundo porque o governo está seguro de que conseguirá barrar o impeachment. De acordo com Dino, o clima sobre a votação do impeachment melhorou nos últimos dias, com uma reversão da tendência pró-impedimento da presidente. "A suposta avalanche que haveria na direção do apoio ao impeachment não se verificou". Ele disse que outros governadores também estão ajudando o governo no trabalho de convencimento dos deputados e que esse esforço será intensificado nos próximos dias.

Dino comentou sobre a situação do deputado Waldir Maranhão (PP-MA), que é primeiro vice-presidente da Câmara e considerado aliado de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e mudou sua posição de favorável para contrário ao impeachment nesta sexta. "Ele esteve comigo e Dilma e reiterou que há vários deputados do PP que vão seguir a linha de manutenção do apoio ao governo", afirmou Dino. Segundo ele, também existirão votos contra o impeachment no PSB, incluindo do ex-governador maranhense José Reinaldo Tavares.

Ainda de acordo com Dino, a presidente Dilma resolveu cancelar o pronunciamento em rede de rádio e TV que faria nesta noite porque o governo preferiu, neste momento, centrar esforços nas negociações com os deputados. Segundo ele, essa foi uma posição externada pelo Advogado Geral da União, José Eduardo Cardozo, na reunião com Dilma. "É mais importante despender energia nisso", comentou Dino sobre o convencimento dos deputados. Segundo ele, não há necessidade de criar uma nova polêmica com o pronunciamento, que poderia ser questionado pela oposição. Ele ainda negou que o governo tenha cancelado a veiculação do discurso com medo de "panelaços".