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Governo e oposição deixam parecer do impeachment em 2º plano e focam em críticas

Governistas e opositores estão deixando o teor do parecer do processo de impedimento da presidente Dilma Rousseff na Comissão Especial do Impeachment em segundo plano e focando seus discursos nas críticas um ao outro, na sessão desta sexta-feira do colegiado, marcada para debater o documento.

Governistas têm ressaltado que partidos da oposição também são acusados de corrupção e acusam opositores de não aceitar perder as últimas eleições. Focam ainda na estratégia de lembrar que a linha de sucessão presidencial é integrada por membros investigados por corrupção, como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Já a oposição centra suas críticas em outras acusações e suspeitas contra o governo Dilma, algumas alheias ao parecer, bem como contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT. Opositores apostam também na estratégia de dizer que aqueles que votarem contra o impeachment estarão concordando com os crimes a que a petista é acusada.

Até o momento, 25 dos 116 parlamentares inscritos para falar na sessão desta sexta-feira já discursaram. A previsão é de que a sessão só termine por volta das 3 horas da madrugada, mesmo se nem todos os parlamentares tenham sido ouvidos. O parecer do deputado Jovair Arantes (PTB-GO) só será votado na próxima segunda-feira, 11.

Escândalos

Após dizer que nenhum dos fatos elencados no parecer comprovam a acusação de crime de responsabilidade para justificar o impeachment, o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), por exemplo, citou que políticos do DEM e do PSDB estão envolvidos em vários escândalos de corrupção.

"Essa oposição quer falar em corrupção, porque toda a vez em que se derrubou um governo popular foi com base no denuncismo e não no debate", afirmou. Segundo ele, a acusação feita no parecer é "vazia", tem caráter "meramente partidário" e foi "lastreada na disputa política". Para ele, a oposição quer "levar o poder sem voto".

Zarattini também acusou a oposição de querer assumir o poder e acabar com os programas sociais. Ele citou em especial o Bolsa Família. "A oposição sempre quis acabar com o Bolsa Família, porque não suporta ver o povo melhorar de vida" disse. "Parem de boicotar o Brasil", disse o deputado.

Mais cedo, o deputado Pepe Vargas (PT-RS) foi na mesma linha e causou um princípio de tumulto na sessão. O petista afirmou que PSDB e DEM são os partidos com maior número de políticos cassados no País. O líder do DEM, Pauderney Avelino (AM), e o deputado Mendonça Filho (PE) reagiram com gritos de "mentira".

Sucessão

Vice-líder do governo, o deputado Silvio Costa (PT do B-PE), focou seu discurso na crítica à linha de sucessão. Ele lembrou que o vice-presidente Michel Temer e Eduardo Cunha, primeiro e segundo na linha de sucessão, fazem parte do que classificou como "confrades do golpe".

Costa afirmou que, caso Temer também seja cassado ou sofra impeachment, o presidente da Câmara assumirá o poder, o que poderia prorrogar uma eventual condenação por corrupção. "Deus me livre, acontece um problema com Michel. Eduardo Cunha vira presidente e, se ele virar, não pode ser preso", afirmou.

O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) adotou a mesma linha de argumentação. "A linha sucessória deste País, reconheçamos, vai de má aos piores", disse. Ele acusou os defensores do impeachment de praticar "zelo orçamentário espetacular" só agora, pois, no mais, preocupam-se só com as próprias emendas orçamentárias.

O deputado do PSOL disse ainda que Dilma praticou, sim, estelionato eleitoral por não cumprir com o prometido em sua campanha pela reeleição, em 2014. Mas afirmou que a oposição também adotou a mesma prática.

Oposição

Da oposição, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) defendeu o impeachment de Dilma e afirmou que votar contra o afastamento de Dilma é concordar com os crimes de responsabilidade que a denúncia do impedimento acusa a petista.

Lorenzoni também disparou críticas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele acusou o petista de vir a Brasília para atuar "no que faz de melhor: traficar interesses". Acusou ainda Lula de pedir ajuda para "milícia". "E quem tem milícia é bandido", afirmou o parlamentar.

A deputada Mariana Carvalho (PSDB-RJ), por sua vez, focou seu discurso em críticas a crise econômica e política. Ela criticou o aumento de preços da energia elétrica e da gasolina e cortes em verbas para a educação. "Isso, sim, é golpe", disse. Para a tucana, Dilma "não tem conhecimento e nem sabe o que é a Constituição Federal".