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Governo vê caso das gravações restrito ao PMDB do Senado e põe foco na economia

O Palácio do Planalto sob o comando do presidente em exercício Michel Temer tenta manter distância dos desdobramentos da colaboração do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado na Operação Lava Jato.

Apesar do temor de que sejam divulgados novos áudios gravados pelo delator, o discurso predominante no entorno de Temer é de que, após a saída do senador Romero Jucá (PMDB-RR) do Ministério do Planejamento em consequência da primeira gravação tornada pública, o governo pode focar a atenção na agenda econômica e evitar ser tragado pelo escândalo.

O fato de Machado, um ex-senador tucano que migrou para o PMDB em 2001, ter ocupado o comando da Transpetro nos governos do PT com apoio político do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), ajuda o Planalto nessa estratégia de se tentar manter distância do caso.

Com a saída de Jucá do Planejamento, resta na Esplanada o ex-deputado Henrique Eduardo Alves (Turismo), que é alvo de pedido de investigação dentro da Lava Jato. Ele foi sondado nesta semana pelo próprio Temer sobre qual seria sua situação nas investigações e teria ouvido do aliado que não haverá surpresas em relação a ele. Alves foi avisado, porém, que, se algum fato novo aparecer, terá de deixar a pasta.

Para o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, apesar da queda de Jucá, a boa notícia para o governo é que a divulgação dos áudios não contaminou a base aliada a ponto de atrapalhar a aprovação da nova meta fiscal no Congresso.

O secretário do Programa de Parcerias de Investimentos, Moreira Franco, também deu prioridade ao discurso econômico. "O governo Temer continua com o mesmo foco, que gera o mesmo discurso, que impõe a mesma prioridade: economia, economia, economia."

A agora oposição comandada pelo PT, por sua vez, tenta explorar a crise provocada pelas gravações de Machado. "A opinião pública já está virando contra ele (Temer)", disse o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).