22°
Máx
17°
Min

Impeachment: deputados federais aprovam sequência de processo contra a presidente Dilma Rousseff

(Foto: Divulgação) - Impeachment: deputados federais aprovam sequência de processo contra a presidente Dilma
(Foto: Divulgação)

Após mais de cinco horas de votação, os deputados federais aprovaram a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Por 367 votos a favor, 137 votos, 7 abstenções e 2 ausências, a Câmara dos Deputados optou por dar sequência ao caso, resultado que não ficou muito fora do que previam as pesquisas que foram realizadas ao longo dos dias que antecederam a votação.

Agora, o caso será enviado ao Senado, onde será formada uma comissão de senadores, com um quarto dos 81 membros, que devem fazer uma acusação formal contra a presidente. O caso deve ser enviado então, ao Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, que marcará a data do julgamento. Depois disso, o caso segue para votação no Senado, onde são necessários que 54 senadores votem favoráveis ao impeachment. Caso isso ocorra, Dilma perde o cargo e fica impedida de exercer uma função pública por oito anos.

Reunião

Diante da derrota na Câmara, a presidente Dilma Rousseff convocou uma reunião com ministros e parlamentares da base aliada no Palácio da Alvorada. Chegaram ao local os ministros Juca Ferreira (Cultura) e Aldo Rebelo (Defesa).

A ideia é unificar o discurso de que a derrota é momentânea e que o governo continuará lutando para derrotar o impeachment no Senado. O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), já deu declarações neste sentido.

Dilma passou o dia no Alvorada, onde assistiu à sessão da Câmara ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de ministros do núcleo duro do governo, como Jaques Wagner (Gabinete Pessoal). Ela escalou o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, para dar uma declaração à imprensa após a votação ser encerrada. E agora confia na rejeição do processo no Senado Federal. 

Traição

Apesar de esperadas, na lista das traições que irritaram bastante a presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros do Planalto estão as dos ex-ministros da Aviação Civil Mauro Lopes (PMDB-MG) e dos Transportes Alfredo Nascimento (PR-AM).

Mas surpresa mesmo veio com um deputado do Ceará que esteve ainda na tarde deste domingo, 17, no Palácio da Alvorada com a presidente Dilma Rousseff e que, depois que saiu de lá, a convite do governador do Estado, Camilo Santana (PT), foi ao plenário da Câmara e votou a favor do impeachment. "Ué, esse cara não passou a tarde toda aqui com a gente e foi lá e votou contra?", queixou-se, "perplexa", Dilma. Em relação a Alfredo Nascimento, afastado por Dilma na "faxina" que ela fez no início do seu primeiro mandato, todos entenderam que houve uma "clara vingança".

Dilma está na Sala dos Estados do Alvorada, ao lado da biblioteca, assistindo pela TV à sessão da Câmara dos Deputados. Neste momento, está acompanhada dos ministros Jaques Wagner, da chefia de Gabinete da Presidência, que estava conferindo o voto dos baianos; de Ricardo Berzoini, da Secretaria de Governo; Kátia Abreu, da Agricultura;, Aldo Rebelo, da Defesa;, José Eduardo Cardozo, da Advocacia-Geral da União; e Edinho Silva, da Secretaria de Comunicação. Kátia, Aldo e Edinho chegaram há pouco.

"Traição" e "decepção" são as palavras de ordem no Alvorada. Na contabilidade do governo, os deputados Nelson Meurer (PP-PR) e Toninho Wandscheer (PROS-PR), por exemplo, votariam a favor do Planalto, mas acabaram votando contra. Momento de suspense na sala do Alvorada foi na hora de aguardar o voto do deputado Waldir Maranhão, do PP, que tinha primeiro se mostrado a favor do impeachment e, desde sexta-feira, 15, estava sendo comemorado como uma vitória importante para o governo.

Mudanças de votos do PSD também foram reclamadas, como de Marcos Reategui (AP), além de outras do PDT. Apesar de ter sido divulgada, por volta das 21 horas, uma foto do vice-presidente Michel Temer sorrindo enquanto assistia à derrocada de sua companheira de chapa, uma hora depois, os ministros ainda não haviam mostrado para Dilma a imagem. Com o quadro negativo e os votos "sim" andando a galope, todos evitavam apresentar a foto para a presidente.

Apesar de o número inicial de votos contra o impeachment ser de 140, o governo já admitia que não chegaria nem perto deste placar, tamanho o número de traições, seja em votos, seja em ausências que acabaram se tornando presenças. Eram esperadas pelo menos 20 ausências, e, no fim, foram apenas duas.

Dilma, que a princípio pretendia dar uma declaração ao fim da votação, desistiu de fazê-lo e estudava soltar uma nota. Mas, depois de algumas avaliações, estava preferindo deixar que o ministro José Eduardo Cardozo fizesse o papel de porta-voz. O governo estava decidindo se ele já anunciaria, na coletiva que está prevista para ocorrer no Planalto, a entrada de uma nova ação do governo no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o mérito do impeachment.