27°
Máx
13°
Min

Juiz Sérgio Moro pede manifestações sem violência

(Foto: Gelson Bampi / Agência Fiep) - Juiz Sérgio Moro pede manifestações sem violência
(Foto: Gelson Bampi / Agência Fiep)

O juiz federal Sergio Moro participou na noite desta quinta-feira (10) do 2º Fórum Transparência e Competitividade, promovido pelo Sistema Federação das Indústrias do Paraná e pelo Centro Internacional de Atores Locais para a América Latina (Cifal) Curitiba. Um dos temas abordados por ele foi a realização de manifestações no próximo final de semana em um momento de "turbulência". "Estão previstas manifestações nos próximos dias ou semanas, sejam contrárias ou favoráveis ao governo. E eu queria pedir a todos que tudo seja desenvolvido sem violência e radicalismo, com muita serenidade, sem discurso de ódio e sem violência contra ninguém", comentou durante o evento, que reuniu cerca de dois mil participantes.

Moro proferiu palestra sobre "Corrupção, empresas e controle". De acordo com ele, os custos da corrupção sistêmica afetam o desenvolvimento do país, pois afasta um investidor externo "que não vem ao Brasil, pois sabe que aqui é um jogo de cartas marcadas. Por que colocar meu capital num país em que tenho de arcar comum custo sistêmico de propina, ou competir com quem aceita fazer esse jogo?", perguntou.

O juiz salientou a importância de as instituições enfrentarem a corrupção, além de ser estimulado o desenvolvimento de uma nova cultura no âmbito empresarial. "Varrer para baixo do tapete não é uma alternativa nem econômica nem moralmente aceitável. Se varrermos, daqui a dez anos vamos enfrentar uma crise pior, arcando com custos cada vez mais crescentes. Afastaremos o investidor externo, o empresário interno, além do impacto na nossa autoestima e na nossa democracia", avaliou.

Operação Lava Jato

Durante a sua palestra, Moro citou o impacto da corrupção sistêmica e alguns exemplos de ações penais de empresas, como a Petrobras. De acordo com ele, havia uma regra nos pagamentos de contratos públicos para pagamento de um porcentual fixo de propina, de 2%, dirigida a agentes públicos da Petrobras, diretores, gerentes, políticos e financiamento político-partidário. "Ressalve-se aqui que não havia uma corrupção disseminada na empresa, a maioria dos funcionários não tinha nada a ver com isso, muito pelo contrário", enfatizou.

Um dos casos citados por ele foi o a construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, que foi alvo da Operação Lava Jato. O orçamento das obras da refinaria passou de R$ 4 bilhões para R$ 18 bilhões. "Disseram que uma das razões do acréscimo do custo foi a aceleração da obra, e havia o propósito que ficasse pronta em 2010. O primeiro trem de refino começou a funcionar no fim de 2014. Será que valeu a pena esses investimentos? Será que não é preciso ponderar os investimentos públicos?", questionou.

Colaboração Agência Fiep