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Lava Jato não vai transformar o Brasil sozinha, diz coordenador da força-tarefa

O avanço da operação Lava Jato não será suficiente para transformar o Brasil. A opinião é do coordenador da força-tarefa da operação, o procurador da República Deltan Dallagnol. "A corrupção não é do partido A ou do B, um problema do governo A ou B", disse em palestra no Brazil Forum UK realizado na Universidade de Oxford neste sábado, 18.

Durante a palestra sobre a operação Lava Jato, o procurador perguntou à plateia quem acreditava que a investigação mudaria o País. No auditório de mais de 100 pessoas, praticamente todos levantaram a mão. Dallagnol disse que discordava do grupo especialmente porque a investigação sozinha não conseguirá alterar as estruturas que criam brechas para a corrupção. "Precisamos atuar sobre as condições que favorecem a o corrupção", disse.

O procurador comentou, ainda, que boa parte do sucesso da operação Lava Jato pode ser atribuído à percepção dos envolvidos de que haverá punição. "Sem punição, não haveria colaboração. Se a alternativa é impunidade, não vai fazer a colaboração. As pessoas passaram a acreditar que poderiam, como no mensalão no caso do Marcos Valério, ser punidas", disse o procurador. "Elas precisavam de alternativa e a solução negociada era melhor que a disputa processual. É o efeito Marcos Valério", diz.

Ao defender o instrumento da delação, Deltan Dallagnol rechaçou a ideia de que para combater a corrupção basta seguir o dinheiro. "A ideia de seguir o dinheiro é uma falácia porque você quebra o rastro do dinheiro", disse.

Mãos Limpas

O procurador da República Deltan Dallagnol não demonstra surpresa com as iniciativas para tentar atrapalhar os trabalhos de investigação da operação Lava Jato. "Onde quer que exista atuação forte do sistema de Justiça contra o sistema falho e que beneficia pessoas, haverá reação", disse.

Ao ser questionado sobre a ação de "poderosos" contra a atuação dos procuradores que investigam a corrupção em Curitiba, Dallagnol disse que essa não é uma reação incomum. "Na Itália, foi assim", disse, ao comentar o desdobramento da operação Mãos Limpas. "A grande questão é saber da sociedade brasileira onde queremos ir. Vamos permitir que esse sistema seja mantido ou nós queremos combate à corrupção? Essa é a grande questão", afirmou.

Dallagnol reconhece que, além do engajamento popular, é preciso que autoridades também reajam. Ele citou como exemplo a necessidade de agilidade nos processos judiciais. "O risco de prescrição gera impunidade", disse. O procurador também sugere que sejam fechadas brechas e regras sejam alteradas para que punições aconteçam e sejam adequadas. Além disso, também recomenda instrumentos eficientes para recuperar o dinheiro desviado pela corrupção. "São três medidas preventivas para que a corrupção não aconteça".