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Líder do governo vê riscos políticos para o mundo após saída do Reino Unido da UE

O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), líder do governo Temer na Casa e presidente da Comissão de Relações Exteriores, disse que sua maior preocupação em relação à saída do Reino Unido da União Europeia é com os efeitos políticos desta decisão para o mundo.

"Eu me oriento por saber quem comemorou. Foi o (Donald) Trump (candidato republicano à presidência nos EUA), a Marine Le Pen (política de direita na França), a Forza Itália (partido do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi), o Partido Comunista Português, a extrema direita da Holanda. Esse pessoal todo se assanhou. E o Reino Unido, que era uma força de moderação, de tolerância, de cultura democrática, mostra essa política interna agora com tendências de direita, xenófobas, nacionalistas", disse Aloysio em entrevista ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

"Esta saída acontece num momento em que você tem uma situação de crise humanitária, de conflitos graves no mundo, especialmente no Oriente Médio. E é preciso lembrar que a saída do Reino Unido enfraquece o poder militar da União Europeia. Tudo isso é preocupante", prosseguiu.

O líder do governo no Senado reforça que a gestão Temer não tem intenção de criticar a decisão do Reino Unido, por respeito à soberania britânica. Ele, contudo, lamenta pessoalmente a saída e diz que isso reforça sua posição contrária a decisões plebiscitárias. "Isso tudo reforça em mim o horror que eu tenho à democracia plebiscitária. Questões como estas nunca podem ser resolvidas num 'Fla-Flu', num 'sim ou não', 'fica ou sai'. Essas questões institucionais têm que ser resolvidas pelos representantes do povo. O plebiscito sempre foi, principalmente na Europa, um instrumento de manipulação de líderes carismáticos, populistas, autoritários. É uma tradição nefasta na Europa."

Com relação aos efeitos econômicos, o tucano disse ser cedo para precisar o impacto que a decisão do Reino Unido pode ter na negociação do acordo entre a UE e o Mercosul, mas admite que é um fator de preocupação. Ele também destaca que, como a economia brasileira está em um processo, a seu ver, de recuperação, turbulências no mercado financeiro mundial são ruins. "Claro que hoje ainda as coisas estão muito voláteis, movimento de bolsas, moedas. Nessa matéria, acho que é preciso nos alinharmos ao pensamento do conselheiro Acácio, célebre personagem de Eça de Queiroz que diz: 'As consequências vêm depois'. Por enquanto, não dá pra medir, mas bom não é."

Mercosul

O senador refutou que haja, por parte do novo governo interino brasileiro, um interesse em enfraquecer o Mercosul. O ministro de Relações Exteriores, José Serra, colega de partido de Aloysio, vem defendendo a realização de acordos bilaterais com outros países, rompendo a lógica do atual bloco Sul-Americano.

O senador disse ser simpático à ideia da liberação para acordos bilaterais independentes do bloco e afirmou que a medida não vai necessariamente colocar o Mercosul em risco de se desmantelar. Ele admitiu, contudo, que há riscos para a economia brasileira se a Argentina, por exemplo, fechar acordos diretos com a China. Mas ele argumenta que tudo está sendo ponderado e que medidas de transição podem ser adotadas, como a adoção de uma saída escalonada de tarifas externas comuns. "Tudo está sendo pesado pelo governo e nenhum passo vai ser dado sem uma sintonia fina com a Argentina."