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Líder do PT diz que não trabalha com hipótese de plebiscito sobre novas eleições

O líder do PT na Câmara, deputado Afonso Florence (BA), disse que não está trabalhando com a hipótese da realização de uma consulta popular para novas eleições caso a presidente afastada Dilma Rousseff volte ao cargo. Segundo Florence, a ideia de um plebiscito seria posterior ao processo de impeachment e, por enquanto, ele está atuando apenas para restabelecer a governabilidade de Dilma no plenário da Casa. Apesar de não defender a ideia, o líder do PT avalia que a proposta do plebiscito poderia ser aprovada na Câmara, pois também daria uma nova chance para os adversários de Dilma disputarem a presidência.

Florence ressaltou que a decisão de convocar novas eleições seria uma questão de "foro íntimo de Dilma". "Há mecanismos constitucionais para isso, não vou dizer que não vai acontecer, agora essa não é a lógica da liderança do PT na Câmara. Minha política é de que ela volte e exerça o seu mandato até o fim", afirmou. A posição de Florence vai contra o que dizem as lideranças petistas no Senado, que avaliam que o plebiscito poderia garantir maior legitimidade para Dilma no Congresso. Além disso, eles utilizam o discurso para convencer senadores indecisos a votarem pela permanência da presidente afastada no processo de impeachment.

Questionado sobre a postura dos membros do partido, Florence disse não ser nem contra, nem a favor, mas tem evitado falar sobre o assunto com aliados. "Eu não trabalho com essa perspectiva, trabalho com a perspectiva de ela voltar, não cogito essa hipótese, não discuto, não tem nem esse espaço para virem falar comigo sobre isso", declarou o líder do PT. Sobre a estratégia dos senadores usarem o discurso para garantir os votos necessários para barrar o impedimento de Dilma, Florence considera não ser necessário. Para ele, o processo não será aprovado no Senado porque não há crime de responsabilidade, e sim um "golpe à democracia".

Para Florence, a tese do "golpe" tem sido fortalecida pelos áudios gravados pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, envolvendo a cúpula do PMDB. O líder do PT também está mais otimista com o resultado da votação do impeachment devido aos pedidos de prisão pela Procuradoria-geral da República (PGR) do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (RJ) e do senador Romero Jucá (RR), que considera terem enfraquecido o governo de Michel Temer.

Lideranças do PT no Senado, que acreditam ter o apoio de um grupo de cerca de 30 parlamentares, tentam agora convencer os movimentos sociais a endossarem a proposta. Segundo eles, a Central Única de Trabalhadores (CUT) seria o ponto de maior resistência. Florence avalia que os grupos foram contrários ao plebiscito anteriormente porque uma nova eleição seria "jogar no escuro", já com Dilma eles sabem que terão seus direitos assegurados. O líder do PT, contudo, não descarta a possibilidade de os movimentos mudarem de ideia.