27°
Máx
13°
Min

Lula defende empresas públicas em ato político no Rio

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, na noite desta segunda-feira (6), as empresas públicas brasileiras e criticou eventuais tentativas de privatizá-las. Ele participou do lançamento da campanha Se é público é para todos, que contou com diversas lideranças políticas, sindicais e intelectuais, na Fundição Progresso, na Lapa, centro do Rio de Janeiro.

Lula citou várias estatais para demonstrar a importância delas na história do país. “As empresas públicas são difamadas e achincalhadas, sem levar em conta os serviços que elas prestaram ao Brasil. O nosso querido Banco do Brasil, que alguns ousam dizer que precisa ser privatizado, foi criado em 1808, a Caixa Econômica Federal foi criada em 1861, a CSN [Companhia Siderúrgica Nacional], foi criada em 1941 e privatizada em 1993, a Vale foi criada em 1942 e privatizada em 1997. A Casa da Moeda foi criada 300 anos atrás”, destacou.

Lula citou também a Petrobras e disse que seu governo foi responsável por aumentar o tamanho da empresa e sua capacidade de pesquisa, com a descoberta do pré-sal.

“Nós decidimos que a descoberta do pré-sal não seria utilizada para fazer aquilo que outros países fizeram, criando a teoria da doença da vaca holandesa [excesso de dependência da economia por um único país]. Nós iríamos criar uma regulamentação, que o pré-sal seria o passaporte para o futuro deste país. Por isso, nós criamos o sistema de partilha, dizendo que o petróleo é do estado e do povo brasileiro, investindo em educação e ciência e tecnologia, para tirar o atraso deste país. Não foi fácil aprovar isso no Congresso, mas conseguimos. Assim que nós descobrimos o pré-sal, os americanos criaram a 4ª frota [naval, para o Atlântico Sul]. É importante que a gente tenha claro que os interesses contra nós são muitos”, disse Lula.

Por fim, o ex-presidente disse aos presentes que ainda era cedo para se falar nas eleições de 2018, mas frisou que os adversários tinham medo dele retornar como candidato.

“Eles estão me acusando de tudo o que é nome, divulgando os meus telefonemas. É medo de eu voltar. É muito cedo para discutir 2018, tem muita gente boa, gente nova. Mas queria dizer, a cada mulher e homem deste país. Que eles não pensem que vão destruir aquilo que nós construímos. Eles não vão impedir que a gente ande por este país fazendo as denúncias que vamos fazer. Eu estou rouco, mas a minha rouquidão não vai atrapalhar que esse povo levante a cabeça. Porque para a gente chegar ao governo, foi muito tempo, muita gente morreu, foi torturada e massacrada antes de nós”.

Ao final de seu discurso, de 40 minutos, Lula admitiu que o governo da presidente afastada Dilma Rousseff cometeu erros, mas sem enumerá-los. “Não estou dizendo que a Dilma não cometeu equívocos. Cometeu. E nós queremos que ela volte, exatamente para ela corrigir os erros que nós cometemos.”

A campanha Se é público é para todos é organizada pelo Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas para se opor à privatização de  empresas públicas nacionais.

Colaboração Agência Brasil