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Lula sugere a ministro da Fazenda que pressione Receita

Três dias depois de ter sido levado à força pela Polícia Federal para depor no inquérito da Operação Aletheia, o ex-presidente Lula sugeriu ao ministro Nelson Barbosa, da Fazenda, que pressione a Receita. O petista reclama dos auditores que estão fiscalizando as contas do Instituto Lula. "É preciso acompanhar o que a Receita tá fazendo junto com a Polícia Federal, bicho", disse Lula, em ligação de 7 de março. "Você precisa se inteirar do que eles estão fazendo no Instituto. Se eles fizessem isso com meia dúzia de grandes empresas, resolvia o problema de arrecadação do Estado."

O ministro é econômico nas palavras. "Não, é… (gagueja) Eles fazem parte."…"Uhumm, sei."

Lula revela nervosismo. "Sabe? eu acho que eles estão sendo filho da puta demais."

"Tá", responde Nelson Barbosa.

"Tão procurando pelo em ovo", insistiu Lula. "Eu acho… eu vou pedir pro Paulo Okamotto (presidente do Instituto Lula) botar tudo no papel, porque era preciso você chamar o responsável e falar que porra que é essa?'"

O ex-presidente sugere ao ministro que questione os auditores e os coloque no encalço de veículos de comunicação e de desafeto político. "Vocês estão fazendo o mesmo com a Globo, com o Instituto Fernando Henrique Cardoso, o mesmo com Gerdau, o mesmo com o SBT, o mesmo com a Record? Ou só com o Lula, caralho?! Vai tomar no cu."

Nelson Barbosa, solícito. "Tá, pede pro Paulo colocar."

Lula continua a reprimenda. "Eu vou pedir pro Paulo colocar e te entregar, porque, veja, não tem problema que investigue não."

"Mas tem que ser igual, né?", reconhece o ministro.

"Não é possível. Você veja, tem uma investigação contra a Veja, quando a Bandeirantes acusou a Veja de fazer acordo com aquela empresa africana, essa porra dessa investigação tá parada na Receita desde 2008."

"Uhumm", resmunga Nelson Barbosa.

"Algum filho da puta sentou em cima", supõe Lula.

"Não, eu sei… essa coisa da velocidade já tinha chegado pra mim e eu pedi pra eles apurarem porque que tem velocidades diferentes", responde o ministro.

O Instituto Lula não se manifestou.