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Maia descansa no Rio e lamenta não poder fazer campanha para o pai

Presidente em exercício da República durante a viagem de Michel Temer à China, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), passa o fim de semana no Rio e, no início da tarde deste sábado, lamentou não poder fazer campanha ao lado do pai, o ex-prefeito Cesar Maia (DEM), vereador que tenta a reeleição. O deputado consultou advogados de sua confiança para saber como deveria proceder na campanha. Foi aconselhado a não ir para a rua pedir votos, porque não há regra clara para o ressarcimento dos recursos públicos gastos com o presidente em exercício, como segurança e transporte, para exercer uma atividade partidária.

"A campanha já é curta e não pude fazer campanha para meu pai. Como é uma interinidade de quatro ou cinco dias, não daria tempo para montar uma estrutura particular paralela (sem gastos públicos) de segurança, transporte. Como me inspiro no Marco Maciel, não é o caso de gerar conflito", disse Maia à reportagem, citando o vice-presidente de Fernando Henrique Cardoso. Maciel era do PFL, hoje DEM, e conhecido com articulador discreto e pelo bom trânsito em diferentes setores.

Cesar Maia fez campanha na zona oeste, região onde pai e filho são bem votados, nesta manhã. Já o presidente em exercício fez exercícios no prédio onde mora e recebeu cumprimentos dos vizinhos. "Tem que cumprimentar diferente? ", brincou um deles.

A segurança de Rodrigo Maia como presidente da Câmara foi reforçada por causa da interinidade na Presidência da República. Neste sábado, havia um carro para Maia e outros três para a escolta do parlamentar e sua família.

Na noite da sexta-feira, o deputado foi a uma festa na residência oficial do prefeito Eduardo Paes (PMDB), na Gávea Pequena (zona sul). Maia disse que não se tratou de política e era apenas uma comemoração.

O parlamentar evitou temas controversos como a votação fatiada, no Senado, do impeachment da presidente Dilma Rousseff, que perdeu o mandato, mas manteve os diretos políticos. Maia marcou para o dia 12 de setembro a votação no plenário da Câmara do processo de cassação do mandato de seu antecessor no comando da Câmara, deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Cunha pode se beneficiar do precedente aberto no Senado não tanto por causa do fatiamento, mas porque houve uma modificação no rito, quando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que presidia a sessão do Senado, autorizou o destaque que permitiu a votação separada do impeachment e dos direitos políticos. A expectativa de aliados de Cunha é conseguir colocar em votação a possibilidade de uma punição mais branda que a cassação do mandato, como suspensão, que não implica no impedimento de participar de novas eleições.