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Manifestantes projetam 'Fora Temer' em embaixada na capital argentina

Um grupo de 30 manifestantes usou um projetor para escrever "Fora Temer" na fachada da Embaixada do Brasil em Buenos Aires durante a celebração do 7 de Setembro. Eles também fizeram uma paródia em espanhol do Hino da Independência para protestar contra o governo de Michel Temer na festa oferecida na missão brasileira nesta quarta-feira, 7.

A intenção era sustentar diante dos convidados, em geral estrangeiros de outras de missões diplomáticas e empresários argentinos, que o Brasil sofreu um golpe com a troca de governo. O refrão adaptado e entoado da rua era "sem temer vamos à luta/contra o traidor senil/combatendo a cada passo/os canalhas do Brasil". Havia 20 policiais vigiando o grupo, que recorreu ainda a músicas de Chico Buarque e Cazuza. Um verso ouvido foi "a burguesia fede".

A manifestação, que contou com aparelho de som, foi organizada pelo Coletivo Passarinho, grupo de brasileiros que promoveu marchas favoráveis à ex-presidente Dilma Rousseff nos últimos meses. O grupo podia ser visto e ouvido a partir do pátio externo da residência do embaixador, onde a bandeira nacional fica hasteada. Quem estava no interior da mansão comprada por ordem de Getúlio Vargas, ou em seu amplo jardim, não ouvia o protesto.

O ato, menos numeroso que os anteriores, foi em geral ignorado pelos convidados da festa, mas alguns interagiram com sorrisos e acenos para o grupo, que permanecia em um nível mais baixo em relação à festa. Um argentino comparou o ato a um escrache, forma de constrangimento popular no país, inicialmente aplicada contra repressores. Um brasileiro brincou que atiraria um sanduíche de mortadela para os ativistas.

A tradicional festa tem como anfitrião o embaixador, função ocupada pelo diplomata Everton Vargas. Ele escreveu um artigo publicado no jornal La Nación desta quarta-feira em que defende a legalidade do processo de impeachment. Com a troca de governo, Vargas passará a trabalhar na missão brasileira encarregada da União Europeia. Em seu lugar assumirá quem era o secretário-geral do Itamaraty, Sergio Danese.